INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2021
Paciente masculino, 50 anos, notou aparecimento de nódulo endurecido em fossa supraclavicular esquerda. Foi realizada biópsia que evidenciou linfonodo metastático de adenocarcinoma de provável origem gastrointestinal. Realizou endoscopia digestiva alta que mostrou lesão gástrica compatível com linite plástica. A biópsia teve como resultado histopatológico adenocarcinoma gástrico pouco diferenciado. Os familiares agendaram consulta com o cirurgião, informando ao a ele que o paciente não tem conhecimento dos resultados desses exames. Como o cirurgião deve abordar o paciente e/ou seus familiares?
Comunicar más notícias: avaliar desejo do paciente de saber, informar com empatia e acolher reações.
A comunicação de más notícias deve sempre respeitar a autonomia do paciente. É fundamental investigar o que o paciente já sabe ou suspeita, perguntar se ele deseja receber as informações diretamente ou se prefere que a família seja o intermediário, e então proceder com a informação de forma clara, empática e acolhedora.
A comunicação de más notícias é uma das habilidades mais desafiadoras e importantes na prática médica, especialmente em oncologia. Ela exige não apenas conhecimento técnico, mas também empatia, sensibilidade e profundo respeito pela autonomia do paciente. O Código de Ética Médica brasileiro e os princípios bioéticos preconizam que o paciente tem o direito de ser informado sobre seu diagnóstico, prognóstico e opções terapêuticas, a menos que ele explicitamente manifeste o desejo de não saber ou de que a informação seja repassada a um representante legal. Para uma comunicação eficaz, é recomendado seguir um protocolo estruturado, como o SPIKES (Setting, Perception, Invitation, Knowledge, Empathy, Strategy/Summary). Este protocolo orienta o médico a criar um ambiente adequado, investigar o que o paciente já sabe ou suspeita, perguntar se ele deseja receber as informações, compartilhar o diagnóstico de forma clara e compreensível, acolher as emoções do paciente e, por fim, discutir os próximos passos e o plano de tratamento. É um erro comum e antiético omitir informações do paciente ou comunicá-las apenas à família sem o consentimento do próprio paciente. Mesmo em casos de prognóstico desfavorável, a verdade deve ser apresentada de forma compassiva, permitindo que o paciente processe a informação, expresse seus sentimentos e participe ativamente das decisões sobre seu cuidado, incluindo a possibilidade de cuidados paliativos. O acolhimento e o suporte emocional são tão importantes quanto a informação em si.
A autonomia do paciente é crucial, pois ele tem o direito de decidir sobre seu próprio corpo e tratamento. O médico deve informá-lo sobre seu estado de saúde para que ele possa tomar decisões conscientes, respeitando seu desejo de saber ou não.
Os passos incluem preparar o ambiente, avaliar a percepção do paciente sobre sua condição, obter o convite para informar, compartilhar a informação de forma clara e empática, abordar as emoções do paciente e planejar os próximos passos.
O médico deve dialogar com a família, explicando a importância da autonomia do paciente e seu direito à informação. É fundamental tentar mediar a situação, buscando o consentimento do paciente sobre quem deve receber as informações.
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