CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2021
Você é chamado para avaliar uma criança de 2 anos, oriunda do Interior do Estado do Amazonas, que foi diagnosticada com um sopro cardíaco pelo médico do posto de saúde local. A criança é eutrófica, está normocorada, acianótica, afebril, ativa, hemodinamicamente estável. A mãe refere que a paciente nunca foi internada por quaisquer doenças até o momento. À ausculta cardíaca, apresenta sopro pan-sistólico de elevado volume, mais audível na borda esternal inferior esquerda. Nesta internação, realizou ecocardiograma transtorácico com doppler que evidenciou comunicação interventricular do tipo membranosa, de pequeno diâmetro, com shunt do ventrículo esquerdo para o direito de discreta monta, sem sinais de hipertensão pulmonar detectáveis pelo método. Não foram observadas outras máformações cardíacas.Sobre o caso, assinale a alternativa INCORRETA:
CIV pequena, assintomática, sem HP → acompanhamento clínico, correção cirúrgica NÃO precoce.
CIVs pequenas e hemodinamicamente insignificantes, como a descrita, geralmente não requerem intervenção cirúrgica precoce. O risco de hipertensão pulmonar progressiva é baixo e a profilaxia para endocardite infecciosa não é rotineiramente indicada para CIVs pequenas e fechadas espontaneamente.
A Comunicação Interventricular (CIV) é a cardiopatia congênita mais comum, representando cerca de 20-30% de todas as malformações cardíacas. Ela consiste em uma abertura no septo interventricular, permitindo o fluxo de sangue entre os ventrículos esquerdo e direito. A apresentação clínica e o prognóstico variam amplamente dependendo do tamanho do defeito e da presença de repercussão hemodinâmica. O diagnóstico é frequentemente feito pela ausculta de um sopro cardíaco e confirmado por ecocardiograma. CIVs pequenas, como a descrita na questão (membranosa, pequeno diâmetro, shunt discreto, sem hipertensão pulmonar), são frequentemente assintomáticas e podem fechar espontaneamente. Nesses casos, a radiografia de tórax e o eletrocardiograma geralmente são normais e não adicionam informações relevantes. O tratamento de CIVs pequenas e sem repercussão hemodinâmica é conservador, com acompanhamento clínico. A correção cirúrgica precoce não é indicada, pois o risco de complicações é baixo e a chance de fechamento espontâneo é considerável. A profilaxia para endocardite infecciosa não é rotineiramente recomendada para CIVs não complicadas. CIVs de maior diâmetro, no entanto, podem levar a insuficiência cardíaca, hipertensão pulmonar e disfunção ventricular, necessitando de intervenção.
A correção cirúrgica de CIVs é indicada para defeitos grandes com repercussão hemodinâmica significativa, como insuficiência cardíaca refratária, hipertensão pulmonar progressiva ou ganho de peso inadequado. CIVs pequenas e assintomáticas geralmente são acompanhadas clinicamente.
Não, as diretrizes atuais não recomendam profilaxia de rotina para endocardite infecciosa em pacientes com CIVs pequenas e sem cianose, a menos que haja histórico de endocardite prévia ou reparo cirúrgico com material protético.
As principais complicações de CIVs não tratadas, especialmente as de grande diâmetro, incluem insuficiência cardíaca, hipertensão pulmonar (Síndrome de Eisenmenger em casos avançados), endocardite infecciosa e arritmias.
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