SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Recém-nascida, 15 dias de vida, é levada ao pediatra por apresentar dificuldade respiratória, especialmente ao se alimentar, o que a faz interromper as mamadas frequentemente. A mãe relata que a bebê sua excessivamente. Ao exame físico, apresenta taquipneia e à ausculta mostra sopro cardíaco holossistólico, de timbre rude, mais audível à nível da borda esternal esquerda, nos 2/3 inferiores, sem outros sintomas. Quanto à conduta terapêutica para esse caso, é correto afirmar que, na maioria dos casos semelhantes:
CIV pequena → Sopro rude + Sem repercussão hemodinâmica → Conduta: Observar (fechamento espontâneo comum).
CIVs pequenas e assintomáticas em lactentes apresentam alta taxa de fechamento espontâneo até os 2 anos, não exigindo intervenção cirúrgica ou medicamentosa imediata.
A Comunicação Interventricular (CIV) é a cardiopatia congênita mais comum ao nascimento. Ela consiste em um defeito no septo que separa os ventrículos, permitindo a passagem de sangue do ventrículo esquerdo para o direito (shunt esquerda-direita). A apresentação clínica depende fundamentalmente do tamanho do defeito e da resistência vascular pulmonar. Defeitos pequenos geram um gradiente de pressão elevado, produzindo um sopro holossistólico rude, mas sem causar sobrecarga volumétrica significativa.\n\nFisiopatologicamente, se a CIV for grande, o excesso de fluxo para os pulmões leva à congestão pulmonar e insuficiência cardíaca congestiva, geralmente manifestando-se após a queda da resistência vascular pulmonar neonatal (entre 2 a 6 semanas de vida). No entanto, a questão descreve um caso clássico de CIV pequena, onde o fechamento espontâneo é a evolução natural mais provável, ocorrendo em até 75-80% dos casos de CIVs musculares pequenas e em muitas perimembranosas através da aposição de tecido da valva tricúspide.
A conduta inicial para uma Comunicação Interventricular (CIV) pequena, onde o paciente está assintomático e não apresenta sinais de sobrecarga de câmaras cardíacas ou hipertensão pulmonar, é a observação clínica e o acompanhamento periódico com ecocardiograma. A grande maioria dessas comunicações, especialmente as musculares e as perimembranosas pequenas, tende a fechar espontaneamente nos primeiros dois anos de vida. Não há indicação de diuréticos ou restrição de atividades se não houver repercussão hemodinâmica.
Os sinais de alerta que indicam repercussão hemodinâmica e necessidade de intervenção (clínica ou cirúrgica) incluem dificuldade de ganho ponderal (failure to thrive), taquipneia persistente, sudorese excessiva durante as mamadas e cansaço aos esforços. Ao exame físico, a presença de precórdio hiperdinâmico, hepatomegalia e sinais de congestão pulmonar sugerem um shunt esquerda-direita significativo. Nesses casos, o tratamento medicamentoso com diuréticos e vasodilatadores é iniciado para estabilização antes da correção definitiva.
De acordo com as diretrizes atuais (AHA/SBC), a profilaxia de rotina para endocardite infecciosa em procedimentos dentários não é mais recomendada para pacientes com CIV isolada não corrigida. A profilaxia é reservada para pacientes com cardiopatias cianóticas não corrigidas, aqueles que possuem material protético (nos primeiros 6 meses após a correção) ou aqueles que já tiveram um episódio prévio de endocardite infecciosa. A manutenção de uma boa higiene oral é a medida preventiva mais importante.
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