Comunicação Interventricular (CIV): Conduta e Evolução Clínica

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025

Enunciado

Recém-nascida, 15 dias de vida, é levada ao pediatra por apresentar dificuldade respiratória, especialmente ao se alimentar, o que a faz interromper as mamadas frequentemente. A mãe relata que a bebê sua excessivamente. Ao exame físico, apresenta taquipneia e à ausculta mostra sopro cardíaco holossistólico, de timbre rude, mais audível à nível da borda esternal esquerda, nos 2/3 inferiores, sem outros sintomas. Quanto à conduta terapêutica para esse caso, é correto afirmar que, na maioria dos casos semelhantes:

Alternativas

  1. A) Diuréticos são medicamentos obrigatórios.
  2. B) Ocorre correção, sem tratamento, até o segundo ano de vida.
  3. C) Está indicado o uso de antibióticos como profilaxia de endocardite.
  4. D) Procedimento cirúrgico para correção deve ser realizado prontamente.

Pérola Clínica

CIV pequena → Sopro rude + Sem repercussão hemodinâmica → Conduta: Observar (fechamento espontâneo comum).

Resumo-Chave

CIVs pequenas e assintomáticas em lactentes apresentam alta taxa de fechamento espontâneo até os 2 anos, não exigindo intervenção cirúrgica ou medicamentosa imediata.

Contexto Educacional

A Comunicação Interventricular (CIV) é a cardiopatia congênita mais comum ao nascimento. Ela consiste em um defeito no septo que separa os ventrículos, permitindo a passagem de sangue do ventrículo esquerdo para o direito (shunt esquerda-direita). A apresentação clínica depende fundamentalmente do tamanho do defeito e da resistência vascular pulmonar. Defeitos pequenos geram um gradiente de pressão elevado, produzindo um sopro holossistólico rude, mas sem causar sobrecarga volumétrica significativa.\n\nFisiopatologicamente, se a CIV for grande, o excesso de fluxo para os pulmões leva à congestão pulmonar e insuficiência cardíaca congestiva, geralmente manifestando-se após a queda da resistência vascular pulmonar neonatal (entre 2 a 6 semanas de vida). No entanto, a questão descreve um caso clássico de CIV pequena, onde o fechamento espontâneo é a evolução natural mais provável, ocorrendo em até 75-80% dos casos de CIVs musculares pequenas e em muitas perimembranosas através da aposição de tecido da valva tricúspide.

Perguntas Frequentes

Qual a conduta inicial em uma CIV pequena e assintomática?

A conduta inicial para uma Comunicação Interventricular (CIV) pequena, onde o paciente está assintomático e não apresenta sinais de sobrecarga de câmaras cardíacas ou hipertensão pulmonar, é a observação clínica e o acompanhamento periódico com ecocardiograma. A grande maioria dessas comunicações, especialmente as musculares e as perimembranosas pequenas, tende a fechar espontaneamente nos primeiros dois anos de vida. Não há indicação de diuréticos ou restrição de atividades se não houver repercussão hemodinâmica.

Quais os sinais de alerta em um lactente com CIV?

Os sinais de alerta que indicam repercussão hemodinâmica e necessidade de intervenção (clínica ou cirúrgica) incluem dificuldade de ganho ponderal (failure to thrive), taquipneia persistente, sudorese excessiva durante as mamadas e cansaço aos esforços. Ao exame físico, a presença de precórdio hiperdinâmico, hepatomegalia e sinais de congestão pulmonar sugerem um shunt esquerda-direita significativo. Nesses casos, o tratamento medicamentoso com diuréticos e vasodilatadores é iniciado para estabilização antes da correção definitiva.

A profilaxia para endocardite infecciosa é necessária na CIV?

De acordo com as diretrizes atuais (AHA/SBC), a profilaxia de rotina para endocardite infecciosa em procedimentos dentários não é mais recomendada para pacientes com CIV isolada não corrigida. A profilaxia é reservada para pacientes com cardiopatias cianóticas não corrigidas, aqueles que possuem material protético (nos primeiros 6 meses após a correção) ou aqueles que já tiveram um episódio prévio de endocardite infecciosa. A manutenção de uma boa higiene oral é a medida preventiva mais importante.

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