PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025
Lactente, sexo masculino, 2 meses e meio de idade, vem apresentando "chieira" intermitente nos últimos dias. Hoje está com dificuldade respiratória. Ao exame clínico, está acianótico, com dificuldade respiratória leve e saturação de oxigênio de 95% em ar ambiente. A ausculta revela sibilos esparsos e um sopro holossistólico ao longo da borda esternal esquerda. Abdome flácido, fígado palpado a 2cm do rebordo costal direito. Restante do exame sem alterações. O diagnóstico MAIS PROVÁVEL é:
Sopro holossistólico + Hepatomegalia + Taquipneia aos 2 meses = CIV (Shunt E→D).
A CIV é a cardiopatia congênita mais comum, manifestando-se clinicamente por volta do 2º mês de vida, quando a queda da resistência vascular pulmonar aumenta o shunt esquerda-direita.
A Comunicação Interventricular (CIV) representa cerca de 20-30% de todas as cardiopatias congênitas. Ela consiste em um orifício no septo que divide os ventrículos, permitindo a passagem de sangue oxigenado do lado esquerdo para o direito. A gravidade depende do tamanho do defeito e da resistência vascular pulmonar. Defeitos pequenos (perimembranosos ou musculares) têm alta taxa de fechamento espontâneo nos primeiros anos de vida.\n\nNo exame físico, além do sopro holossistólico, o médico deve buscar sinais de 'failure to thrive' (dificuldade de ganho de peso) e sinais de congestão, como a hepatomegalia citada no caso. O ecocardiograma Doppler é o exame definitivo para localizar o defeito, medir seu tamanho e avaliar as repercussões hemodinâmicas. O diagnóstico diferencial inclui outras cardiopatias de hiperfluxo, como a Persistência do Canal Arterial (PCA), que apresenta sopro contínuo em 'maquinária'.
Ao nascimento, a resistência vascular pulmonar (RVP) é elevada, o que limita o fluxo de sangue do ventrículo esquerdo para o direito através do defeito. Entre a 4ª e a 8ª semana de vida, ocorre uma queda fisiológica da RVP. Isso aumenta o gradiente de pressão e o shunt esquerda-direita, levando ao hiperfluxo pulmonar e sintomas de insuficiência cardíaca, como taquipneia, dificuldade para mamar e hepatomegalia (congestão sistêmica).
O sopro clássico da CIV é holossistólico (ou pansistólico), de alta frequência, melhor audível na borda esternal esquerda baixa. Curiosamente, defeitos pequenos (CIV restritiva) costumam produzir sopros mais intensos e rudes devido ao maior turbilhonamento do sangue, enquanto defeitos muito grandes podem ter sopros mais suaves devido ao equilíbrio de pressões entre os ventrículos.
O manejo inicial é clínico, visando controlar os sintomas de congestão e garantir o ganho ponderal. Utilizam-se diuréticos (furosemida, espironolactona) para reduzir a congestão pulmonar e inibidores da ECA (captopril) para reduzir a pós-carga sistêmica, facilitando o fluxo anterógrado e diminuindo o shunt. Se o tratamento clínico falhar ou houver hipertensão pulmonar persistente, a correção cirúrgica é indicada.
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