HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2023
A comunicação interventricular (CIV) é a cardiopatia congênita mais frequente na prática clínica, e pode estar associada com vários aspectos. Assinale a opção CORRETA:
CIV com repercussão hemodinâmica → risco de hipertensão arterial pulmonar grave.
A Comunicação Interventricular (CIV) é a cardiopatia congênita mais comum. Quando significativa, o shunt esquerda-direita aumenta o fluxo pulmonar, levando à sobrecarga de volume e pressão no leito vascular pulmonar, o que pode evoluir para hipertensão arterial pulmonar irreversível (Síndrome de Eisenmenger) se não tratada.
A Comunicação Interventricular (CIV) é a cardiopatia congênita mais comum, representando cerca de 20-30% de todas as malformações cardíacas. Ela consiste em um defeito no septo que separa os ventrículos direito e esquerdo, permitindo a passagem de sangue entre eles. A apresentação clínica varia amplamente, desde CIVs pequenas e assintomáticas que podem fechar espontaneamente, até grandes defeitos com repercussão hemodinâmica significativa. A compreensão de suas implicações é fundamental na prática pediátrica e cardiológica. Quando uma CIV é grande e permite um shunt significativo da esquerda para a direita, o aumento do fluxo sanguíneo para a circulação pulmonar causa sobrecarga de volume no ventrículo esquerdo e no leito vascular pulmonar. Essa sobrecarga crônica pode levar ao desenvolvimento de insuficiência cardíaca congestiva e, mais gravemente, à hipertensão arterial pulmonar (HAP). A HAP, se não tratada, pode se tornar irreversível, culminando na Síndrome de Eisenmenger, onde o shunt se inverte (direita para esquerda), resultando em cianose e prognóstico reservado. O diagnóstico da CIV é feito principalmente pelo ecocardiograma, que define o tamanho, localização e repercussão hemodinâmica do defeito. O tratamento depende da gravidade: CIVs pequenas são frequentemente apenas observadas, enquanto as maiores com repercussão hemodinâmica requerem fechamento cirúrgico ou por cateter para prevenir complicações como a HAP. O manejo precoce e adequado é crucial para otimizar o prognóstico e evitar danos pulmonares irreversíveis.
Sinais de repercussão hemodinâmica incluem taquipneia, dificuldade para mamar, baixo ganho ponderal, sudorese excessiva, cardiomegalia e sopro holossistólico intenso. A presença de P2 hiperfonética pode indicar hipertensão pulmonar.
A indicação de fechamento de uma CIV depende do tamanho do defeito, da presença de repercussão hemodinâmica (insuficiência cardíaca, hipertensão pulmonar) e da idade do paciente. CIVs pequenas podem fechar espontaneamente, enquanto as maiores com repercussão geralmente requerem intervenção cirúrgica ou por cateter.
O shunt esquerda-direita através da CIV causa um aumento crônico do fluxo sanguíneo para os pulmões. Com o tempo, essa sobrecarga de volume e pressão leva a alterações estruturais nas arteríolas pulmonares, resultando em aumento da resistência vascular pulmonar e, consequentemente, hipertensão arterial pulmonar.
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