USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Paciente de 6 meses de idade, sexo masculino, vem à consulta de puericultura sem queixas no momento. Durante o exame físico você percebe sopro cardíaco sistólico de 2+/6 em bordo esternal esquerdo alto, sem irradiações e desdobramento fixo de B2. Ganho de peso limítrofe e restante do exame físico sem alterações. Qual a hipótese diagnóstica mais adequada a este caso?
Sopro sistólico BEAE + desdobramento fixo B2 + ganho peso limítrofe = CIA.
A Comunicação Interatrial (CIA) é uma cardiopatia congênita comum que se manifesta com sopro sistólico e desdobramento fixo de B2 devido ao aumento do fluxo pulmonar e sobrecarga de volume do ventrículo direito. O ganho de peso limítrofe pode indicar repercussão hemodinâmica.
A Comunicação Interatrial (CIA) é uma das cardiopatias congênitas mais comuns, caracterizada por um defeito no septo interatrial que permite o fluxo sanguíneo do átrio esquerdo para o átrio direito (shunt esquerda-direita). Em lactentes, como o paciente de 6 meses do caso, a CIA pode ser assintomática ou apresentar sintomas leves, como ganho de peso limítrofe ou infecções respiratórias de repetição, devido ao aumento do fluxo pulmonar. O diagnóstico clínico da CIA é frequentemente suspeitado pelo exame físico. O achado mais característico é um sopro sistólico ejetivo de intensidade 2+/6 em bordo esternal esquerdo alto (foco pulmonar), resultante do aumento do fluxo sanguíneo através da valva pulmonar. O sinal patognomônico é o desdobramento fixo da segunda bulha cardíaca (B2), que não varia com a respiração, devido ao enchimento prolongado do ventrículo direito. A confirmação diagnóstica é feita por ecocardiograma, que visualiza o defeito e avalia o tamanho do shunt e suas repercussões hemodinâmicas. O tratamento da CIA depende do tamanho do defeito e da presença de repercussão. Defeitos pequenos podem fechar espontaneamente. Defeitos maiores com shunt significativo geralmente requerem fechamento, que pode ser percutâneo (por cateterismo) ou cirúrgico, para prevenir complicações a longo prazo como hipertensão pulmonar e arritmias.
Os achados clássicos incluem um sopro sistólico ejetivo em foco pulmonar (bordo esternal esquerdo alto) devido ao aumento do fluxo através da valva pulmonar, e o desdobramento fixo da segunda bulha cardíaca (B2).
O desdobramento fixo de B2 ocorre porque o shunt esquerda-direita através da CIA causa um enchimento prolongado do ventrículo direito, atrasando o fechamento da valva pulmonar, e esse atraso não é influenciado pela respiração.
Complicações a longo prazo incluem hipertensão pulmonar, arritmias atriais (fibrilação atrial), insuficiência cardíaca direita e, raramente, síndrome de Eisenmenger em casos de shunt significativo e não corrigido.
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