PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2023
Paciente de 12 anos vem ao posto de saúde realizar avaliação clínica para liberação para escolinha de futebol. Mãe refere que criança se queixa apenas quando faz atividade física de um pouco de cansaço e coração ̈disparado ̈ , nega síncope ou uso de medicação. Ao exame físico, corado, eupneico, FC= 88 bpm, presença de sopro sistólico ejetivo suave em foco pulmonar ++/VI com P2 desdobrada fixa, pulsos presentes e simétricos. Qual o diagnóstico e a conduta mais CORRETA para esse caso?
CIA: Sopro sistólico ejetivo em foco pulmonar + P2 desdobrada fixa → encaminhar cardiologia.
O desdobramento fixo da segunda bulha cardíaca (P2) é um achado clássico da Comunicação Interatrial (CIA), devido ao aumento do fluxo pulmonar e retardo no fechamento da valva pulmonar. A presença de sopro ejetivo em foco pulmonar reforça a suspeita, indicando a necessidade de ecocardiograma para confirmação e avaliação da conduta.
A Comunicação Interatrial (CIA) é uma das cardiopatias congênitas acianóticas mais comuns, caracterizada por um defeito no septo interatrial que permite a passagem de sangue do átrio esquerdo para o direito. Sua prevalência é significativa, e o diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações a longo prazo, como hipertensão pulmonar e arritmias. É um tema frequente em provas de residência médica, exigindo conhecimento dos sinais clínicos e da conduta apropriada. A fisiopatologia da CIA envolve um shunt esquerda-direita, que leva a um aumento do fluxo sanguíneo para o lado direito do coração e para a circulação pulmonar. Clinicamente, os pacientes podem ser assintomáticos na infância ou apresentar sintomas leves como fadiga e dispneia aos esforços. O exame físico é fundamental, com destaque para o sopro sistólico ejetivo em foco pulmonar e, principalmente, o desdobramento fixo da segunda bulha, que é um sinal altamente sugestivo. O ecocardiograma transtorácico é o método diagnóstico de escolha. O tratamento da CIA depende do tamanho do defeito e da presença de sintomas. Defeitos pequenos podem fechar espontaneamente, enquanto defeitos maiores geralmente requerem intervenção, seja por cateterismo cardíaco (fechamento percutâneo) ou cirurgia. O prognóstico é geralmente excelente com o tratamento adequado, mas a não correção pode levar a complicações graves. Residentes devem estar aptos a reconhecer os sinais e encaminhar o paciente corretamente.
A CIA em crianças pode se manifestar com cansaço e palpitações durante atividade física. Ao exame físico, o achado mais característico é um sopro sistólico ejetivo em foco pulmonar, acompanhado de desdobramento fixo da segunda bulha cardíaca (P2).
O desdobramento fixo de P2 ocorre devido ao aumento do fluxo sanguíneo através da valva pulmonar e ao retardo no seu fechamento, independentemente da fase respiratória. É um sinal patognomônico que ajuda a diferenciar a CIA de outras condições cardíacas.
Após a suspeita clínica de Comunicação Interatrial, a conduta mais correta é encaminhar o paciente para avaliação cardiológica pediátrica, que incluirá a realização de um ecocardiograma para confirmar o diagnóstico, avaliar o tamanho do defeito e planejar o manejo adequado.
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