UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2020
Paciente, 10 anos, durante consulta de rotina observou-se hiperfonese de B1 e desdobramento fixo de B2. Sopro sistólico +/6 em borda esternal esquerda. Pressão arterial e pulsos normais. É uma criança saudável e joga futebol. Diante do relato qual lesão cardíaca é a mais provável?
Criança saudável + Hiperfonese B1 + Desdobramento fixo B2 + Sopro sistólico BELE → Comunicação Interatrial (CIA).
A Comunicação Interatrial (CIA) é uma cardiopatia congênita acianótica comum, frequentemente diagnosticada em crianças assintomáticas durante exames de rotina. Os achados clássicos na ausculta incluem hiperfonese de B1, desdobramento fixo de B2 (devido ao aumento do fluxo na artéria pulmonar e retardo no fechamento da valva pulmonar) e um sopro sistólico ejetivo na borda esternal esquerda alta, causado pelo aumento do fluxo através da valva pulmonar.
A Comunicação Interatrial (CIA) é uma das cardiopatias congênitas acianóticas mais comuns, caracterizada por um defeito no septo interatrial que permite o fluxo de sangue do átrio esquerdo para o átrio direito (shunt esquerda-direita). Muitos pacientes com CIA são assintomáticos na infância e o diagnóstico é frequentemente feito durante um exame físico de rotina, quando um sopro cardíaco é detectado. A epidemiologia mostra que a CIA é mais comum em meninas e pode estar associada a outras anomalias congênitas. A fisiopatologia da CIA envolve o aumento do fluxo sanguíneo para o lado direito do coração e para a circulação pulmonar. Esse aumento de volume no ventrículo direito e na artéria pulmonar leva aos achados clássicos na ausculta: hiperfonese de B1 (devido ao aumento do fluxo através da valva tricúspide), um sopro sistólico ejetivo na borda esternal esquerda alta (causado pelo aumento do fluxo através da valva pulmonar) e, o mais característico, o desdobramento fixo de B2, que não varia com a respiração. O eletrocardiograma pode mostrar desvio do eixo para a direita e sobrecarga de volume do ventrículo direito, enquanto o ecocardiograma é o exame confirmatório. O tratamento da CIA depende do tamanho do defeito e da presença de sintomas. Defeitos pequenos podem fechar espontaneamente ou ser acompanhados. Defeitos maiores que causam sobrecarga de volume do ventrículo direito geralmente requerem fechamento, que pode ser feito por cateterismo (dispositivo oclusor) ou cirurgia. O prognóstico após o fechamento é excelente. Para residentes, o reconhecimento precoce dos achados da ausculta é crucial para o diagnóstico e manejo adequado, evitando complicações a longo prazo e garantindo a saúde cardiovascular do paciente pediátrico.
Os achados clássicos incluem hiperfonese de B1, desdobramento fixo de B2 (que não varia com a respiração) e um sopro sistólico ejetivo de intensidade variável (geralmente 2+/6 a 3+/6) na borda esternal esquerda alta, devido ao aumento do fluxo através da valva pulmonar.
O desdobramento de B2 é fixo na CIA devido ao shunt esquerda-direita que causa um volume constante de sangue no ventrículo direito. Isso leva a um atraso fixo no fechamento da valva pulmonar (P2) em relação à valva aórtica (A2), independentemente das fases da respiração, que normalmente alteram o desdobramento.
As complicações a longo prazo de uma CIA não tratada podem incluir hipertensão pulmonar, arritmias atriais (como fibrilação atrial), insuficiência cardíaca direita e, em casos raros, síndrome de Eisenmenger se o shunt se reverter. O risco de embolia paradoxal também existe, embora seja menos comum.
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