MedEvo Simulado — Prova 2026
Uma menina de 4 anos de idade é levada à consulta de rotina para acompanhamento de puericultura. A mãe não relata queixas, afirmando que a criança é ativa, alimenta-se bem e possui desenvolvimento neuropsicomotor adequado para a idade. Ao exame físico, a paciente encontra-se em bom estado geral, acianótica, com pulsos amplos e simétricos em todos os membros. A ausculta cardíaca revela ritmo regular em dois tempos, com presença de um sopro sistólico de ejeção, de intensidade 2+/6+, mais audível em borda esternal esquerda superior (segundo espaço intercostal). Nota-se, ainda, um desdobramento amplo e fixo da segunda bulha cardíaca, que não se altera com as fases da respiração. O restante do exame físico é normal. Diante desse quadro clínico, a conduta mais adequada é:
Desdobramento fixo e amplo de B2 + sopro sistólico em borda esternal esquerda superior = CIA.
O desdobramento fixo da segunda bulha (B2) é o achado patognomônico da Comunicação Interatrial (CIA), indicando que o volume ventricular direito aumentado mantém a valva pulmonar aberta por mais tempo, independentemente da respiração.
A Comunicação Interatrial (CIA) é uma das cardiopatias congênitas acianóticas mais frequentes, caracterizada por uma abertura no septo interatrial que permite a passagem de sangue do átrio esquerdo para o direito. Na infância, a maioria dos pacientes é assintomática, e o diagnóstico frequentemente ocorre durante exames de rotina na puericultura. O achado clássico no exame físico é o desdobramento amplo e fixo da segunda bulha cardíaca (B2), acompanhado de um sopro sistólico de ejeção no segundo espaço intercostal esquerdo. A fisiopatologia envolve a sobrecarga de volume das câmaras direitas e da circulação pulmonar. Se não tratada, a CIA pode levar a complicações a longo prazo, como arritmias supraventriculares, insuficiência cardíaca direita e hipertensão pulmonar (embora a Síndrome de Eisenmenger seja rara em comparação com a CIV). O ecocardiograma transtorácico é o padrão-ouro para confirmação diagnóstica, permitindo localizar o defeito (ostium secundum é o mais comum) e quantificar a repercussão hemodinâmica.
Na Comunicação Interatrial (CIA), existe um shunt esquerda-direita que aumenta o volume de sangue no átrio e ventrículo direitos. Durante a inspiração, o retorno venoso sistêmico aumenta, mas o shunt diminui devido ao aumento da pressão intratorácica. Na expiração, o retorno venoso diminui, mas o shunt aumenta. Esse equilíbrio dinâmico mantém o volume diastólico final do ventrículo direito constantemente elevado, resultando em um fechamento tardio da valva pulmonar que não varia com o ciclo respiratório.
Diferente da Comunicação Interventricular (CIV), onde o sopro é gerado pela passagem do sangue pelo orifício (holosystolic), o sopro na CIA é um sopro sistólico de ejeção (crescendo-decrescendo) audível no foco pulmonar. Ele é causado pelo 'hiperfluxo pulmonar', ou seja, um volume excessivo de sangue passando por uma valva pulmonar de tamanho normal, criando uma estenose pulmonar relativa.
Sopros patológicos geralmente apresentam intensidade ≥ 3/6, são holossistólicos ou diastólicos, associam-se a cliques, frêmitos, alterações de bulhas (como o desdobramento fixo de B2) ou sintomas como cianose e dificuldade de ganho ponderal. Na presença de qualquer um desses sinais, como o desdobramento fixo de B2 descrito no caso, a investigação com ecocardiograma e encaminhamento ao especialista são obrigatórios.
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