Artrose de Joelhos: Abordagem Empática na Atenção Primária

ENARE/ENAMED — Prova 2024

Enunciado

Um senhor de 58 anos comparece à consulta em unidade básica de saúde e queixa-se, para seu médico de família e comunidade, de dores nos joelhos. O paciente relata que “as dores o preocupam muito, pois o atrapalham a trabalhar diariamente”. O médico, além de fazer perguntas, realiza o exame físico e conclui que se trata de caso de artrose dos joelhos, bilateralmente. Diante da preocupação do paciente, qual é a atitude esperada desse profissional de saúde?

Alternativas

  1. A) A atitude adequada é esclarecer ao paciente que se trata de quadro crônico e que ele deverá conviver com a dor.
  2. B) A atitude adequada é demonstrar, empaticamente, que compreende a seriedade do adoecimento, apesar de se tratar de doença que não ameaça a vida.
  3. C) A atitude adequada é esclarecer que se trata de quadro que não ameaça a vida, tranquilizando o paciente e orientando que esse quadro não impede seu trabalho.
  4. D) A atitude adequada é encaminhar o paciente prontamente ao especialista devido à gravidade da situação.
  5. E) A atitude adequada é recomendar ao paciente afastamento da sua atividade laboral, uma vez que ela é diretamente responsável pelo seu adoecimento.

Pérola Clínica

Na dor crônica, a empatia e compreensão do impacto na vida do paciente são cruciais, mesmo em doenças não fatais.

Resumo-Chave

Em condições crônicas como a artrose, que impactam significativamente a qualidade de vida e a capacidade laboral, a atitude do médico deve ir além do diagnóstico e tratamento técnico. É fundamental reconhecer a preocupação do paciente, validar seu sofrimento e demonstrar empatia, estabelecendo uma relação de confiança e parceria no cuidado.

Contexto Educacional

A artrose, ou osteoartrite, é uma doença crônica degenerativa das articulações, caracterizada pela perda da cartilagem articular e alterações ósseas subcondrais. É uma das principais causas de dor crônica e incapacidade funcional, especialmente em idosos, com prevalência crescente devido ao envelhecimento populacional e fatores como obesidade. Embora não seja uma doença que ameace a vida diretamente, seu impacto na qualidade de vida, autonomia e capacidade laboral dos pacientes é significativo. Na Medicina de Família e Comunidade, a abordagem da artrose deve ser holística e centrada na pessoa. Isso significa ir além do tratamento farmacológico da dor, considerando os aspectos psicossociais da doença. A preocupação do paciente com a dor e seu impacto no trabalho é um sinal de sofrimento que precisa ser validado e compreendido pelo médico. A comunicação empática e a construção de um plano de cuidado compartilhado são essenciais. O tratamento da artrose envolve medidas não farmacológicas (exercícios, perda de peso, fisioterapia) e farmacológicas (analgésicos, anti-inflamatórios). O prognóstico é de uma doença crônica com períodos de exacerbação e remissão. O papel do médico é ajudar o paciente a gerenciar a dor, manter a funcionalidade e adaptar-se à condição, sempre com uma atitude de suporte e compreensão, evitando a minimização do sofrimento e o encaminhamento desnecessário a especialistas quando o manejo pode ser feito na atenção primária.

Perguntas Frequentes

Qual o papel da empatia no manejo de doenças crônicas como a artrose?

A empatia é fundamental para estabelecer uma relação de confiança, validar o sofrimento do paciente e compreender o impacto da doença em sua vida diária. Isso facilita a adesão ao tratamento, melhora a comunicação e promove um cuidado mais centrado na pessoa.

Como a artrose pode afetar a vida profissional de um paciente?

A artrose, especialmente em articulações de carga como os joelhos, pode causar dor, rigidez e limitação de movimento, dificultando atividades que exigem ficar em pé, caminhar ou levantar peso, impactando diretamente a capacidade de trabalho e a produtividade.

Além da empatia, quais outras atitudes são importantes no manejo da artrose na atenção primária?

Além da empatia, é importante fornecer informações claras sobre a doença, discutir opções de tratamento (farmacológico e não farmacológico), incentivar a atividade física adaptada, promover a perda de peso (se indicado) e realizar o acompanhamento longitudinal, buscando sempre o 'common ground' com o paciente.

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