USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023
Mulher, 63 anos, está em acompanhamento ambulatorial por adenocarcinoma de pâncreas com metástases hepáticas e ósseas. Há 6 meses, iniciou segunda linha de quimioterapia não curativa. A despeito do tratamento, sua doença teve rápida progressão durante esse período. Adicionalmente, sua funcionalidade teve uma mudança importante: era totalmente ativa (ECOG 0) e agora, embora consiga manter o autocuidado e a deambulação, está incapaz de realizar suas atividades laborais (ECOG 2). No atual retorno, a paciente questiona sobre as possibilidades de tratamento e a sua inclusão em um estudo clínico para novos medicamentos.Quais ações devem ser adotadas no caso?
Em doença avançada, sempre questione as expectativas e percepção do paciente para alinhar o plano de cuidados e tratamento.
Em pacientes com doença oncológica avançada e progressão, é fundamental explorar as expectativas e o entendimento da doença pelo paciente. Isso permite uma comunicação empática, a tomada de decisão compartilhada e a adequação do plano terapêutico, incluindo a discussão sobre cuidados paliativos e a participação em estudos clínicos, respeitando a autonomia do indivíduo.
A comunicação eficaz em oncologia, especialmente em estágios avançados da doença, é uma habilidade clínica essencial. Pacientes com adenocarcinoma de pâncreas metastático, como no caso, frequentemente enfrentam um prognóstico reservado e progressão da doença, mesmo com múltiplas linhas de tratamento. A perda de funcionalidade, refletida pela mudança no escore ECOG, é um indicador importante da deterioração do estado geral e da necessidade de reavaliar os objetivos do cuidado. Nesse contexto, a abordagem centrada no paciente é fundamental. Antes de apresentar novas informações ou opções de tratamento, é imperativo explorar o que o paciente já sabe sobre sua doença, suas expectativas em relação ao tratamento e seu prognóstico, e quais são seus valores e prioridades. Essa escuta ativa permite que o médico adapte a comunicação, forneça informações de forma compreensível e ajude o paciente a tomar decisões informadas e alinhadas com seus desejos, promovendo a autonomia. A discussão sobre estudos clínicos ou a transição para cuidados paliativos deve ser um processo gradual e contínuo, baseado na confiança e na transparência. Não se trata de 'dar más notícias', mas de construir um plano de cuidados que respeite a dignidade e a qualidade de vida do paciente, mesmo diante de um cenário de doença incurável. A família deve ser envolvida com o consentimento do paciente, mas a decisão final e o foco da comunicação devem sempre ser no indivíduo doente.
A escala ECOG (Eastern Cooperative Oncology Group) avalia o status funcional do paciente, sendo um importante preditor de prognóstico e tolerância ao tratamento. Um ECOG 2, como no caso, indica que o paciente é capaz de autocuidado, mas incapaz de realizar atividades laborais, o que impacta as opções terapêuticas e a qualidade de vida.
Questionar as expectativas do paciente é crucial para entender seus valores, medos e objetivos, permitindo que a equipe médica ofereça informações de forma mais personalizada e empática. Isso facilita a tomada de decisão compartilhada e a construção de um plano de cuidados alinhado com os desejos do paciente.
A discussão sobre estudos clínicos é apropriada quando há potencial benefício para o paciente e quando ele expressa interesse. No entanto, deve ser feita de forma transparente, explicando os riscos, benefícios e a natureza experimental do tratamento, sempre após compreender as expectativas e o entendimento do paciente sobre sua condição.
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