CAT: Quando e Como Emitir para Doenças Ocupacionais

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2020

Enunciado

Depois de ter iniciado novo emprego com carteira assinada há cerca de dez meses, um paciente de 36 anos de idade, ajudante de pedreiro, apresentou um quadro de lombalgia que se instalou progressivamente. Do ponto de vista da notificação de doença relacionada ao trabalho por meio da CAT (Comunicação de Acidente do Trabalho), qual deve ser a conduta correta do médico assistente?

Alternativas

  1. A) Não abrir a CAT, pois essa comunicação restringe-se aos acidentes de trabalho e não se aplica em casos de doenças do trabalho.
  2. B) Abrir a CAT somente se for necessário que o paciente fique afastado do trabalho por mais de 15 dias, comunicando o fato à empresa.
  3. C) Abrir a CAT, incluindo o preenchimento do Laudo de Exame Médico, solicitando ao trabalhador que a encaminhe à empresa, de modo que esta possa dar prosseguimento ao processo junto ao INSS.
  4. D) Aguardar o tempo de carência de 12 meses para que o trabalhador tenha direito a benefícios pelo INSS e, depois, abrir a CAT, caso persista a lombalgia.

Pérola Clínica

Doença relacionada ao trabalho → médico assistente deve abrir CAT, preencher laudo e orientar trabalhador a encaminhar à empresa para INSS.

Resumo-Chave

A lombalgia, especialmente em profissões com esforço físico repetitivo como ajudante de pedreiro, pode ser considerada uma doença relacionada ao trabalho. Nesses casos, o médico assistente tem o dever de emitir a CAT, independentemente do tempo de afastamento, para garantir os direitos previdenciários do trabalhador.

Contexto Educacional

A Comunicação de Acidente do Trabalho (CAT) é um documento essencial para notificar o INSS sobre acidentes de trabalho ou doenças ocupacionais. Sua emissão é um dever legal da empresa, mas, na ausência ou recusa desta, o médico assistente tem a prerrogativa e a responsabilidade de fazê-lo, garantindo que o trabalhador tenha seus direitos previdenciários assegurados. Doenças relacionadas ao trabalho, como a lombalgia em um ajudante de pedreiro, devem ser investigadas quanto ao nexo causal com a atividade laboral. Se houver evidências dessa relação, a emissão da CAT é imperativa. O médico assistente deve preencher o formulário da CAT, incluindo o laudo de exame médico, e orientar o trabalhador sobre como encaminhá-lo à empresa para o devido registro junto ao INSS. Para residentes, compreender a legislação trabalhista e previdenciária relacionada à saúde ocupacional é crucial. A correta emissão da CAT não só protege o trabalhador, mas também evita problemas legais para o médico e a instituição. É importante lembrar que a CAT deve ser emitida mesmo que o afastamento seja inferior a 15 dias, pois ela formaliza o reconhecimento da condição como ocupacional.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre acidente de trabalho e doença do trabalho para fins de CAT?

Acidente de trabalho é um evento súbito e traumático. Doença do trabalho é aquela adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente, como a lombalgia por esforço repetitivo. Ambas exigem a emissão da CAT.

Quem pode emitir a CAT?

A CAT deve ser emitida pela empresa. Na ausência ou recusa da empresa, pode ser emitida pelo próprio trabalhador, seus dependentes, o sindicato da categoria, o médico assistente ou qualquer autoridade pública.

Qual a importância da CAT para o trabalhador?

A CAT é fundamental para o trabalhador ter acesso aos benefícios previdenciários do INSS, como o auxílio-doença acidentário, aposentadoria por invalidez acidentária, e para garantir a estabilidade provisória no emprego após o retorno ao trabalho.

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