HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2022
O Sr. João, 78 anos, aposentado (mecânico), oito anos de escolaridade, durante sua consulta no geriatra queixou-se de que há 6 meses tem apresentado dificuldade para lembrar nomes de pessoas; não se localiza bem nas ruas, precisa parar e perguntar. Teve um episódio de descontrole da conta bancária. Nega sintomas depressivos ou de ansiedade. Nega alucinações e alterações do padrão do sono, sem queixas relacionadas ao apetite e quando questionado relata que mantém atividades habituais preservadas: cozinha, consertar eletrodomésticos, atividades que sempre faz com prazer e que ninguém nota suas dificuldades, somente seus filhos. AP: HAS (uso de Losartana 50 mg vo de 12/12h), disacusia neurossensorial bilateral moderada (laudo da audiometria); Hábitos de vida: nega tabagismo, etilismo, relata sedentarismo.AF: mãe teve Doença de Alzheimer, pai teve HAS e IAM. Após indicar avaliação e testes neurocognitivos, em relação a este paciente, o que você consideraria:
Dificuldade cognitiva subjetiva/objetiva + atividades instrumentais preservadas → Comprometimento Cognitivo Leve (CCL).
O paciente apresenta queixas cognitivas (memória, localização, finanças) e evidências de declínio objetivo (relatado pelos filhos), mas suas atividades instrumentais de vida diária (cozinhar, consertar) estão preservadas. Este quadro é característico de Comprometimento Cognitivo Leve (CCL), que exige investigação e acompanhamento.
O Comprometimento Cognitivo Leve (CCL) é uma condição intermediária entre o declínio cognitivo normal relacionado à idade e a demência. É caracterizado por um declínio cognitivo objetivo em um ou mais domínios (memória, linguagem, funções executivas, etc.) que é maior do que o esperado para a idade, mas que não interfere significativamente nas atividades instrumentais de vida diária. Sua importância reside no fato de que indivíduos com CCL têm um risco aumentado de progressão para demência, especialmente Doença de Alzheimer. A fisiopatologia do CCL é heterogênea, podendo envolver processos neurodegenerativos incipientes, fatores vasculares, metabólicos ou outras condições reversíveis. O diagnóstico requer uma avaliação clínica detalhada, incluindo história, exame físico, testes neurocognitivos e exclusão de outras causas de declínio cognitivo. Fatores como disacusia e comorbidades devem ser considerados e manejados. A conduta no CCL envolve o monitoramento regular da função cognitiva, o manejo de fatores de risco (HAS, sedentarismo, disacusia), e a adoção de medidas não farmacológicas como exercícios físicos e dieta saudável. Embora não haja tratamento farmacológico aprovado para reverter o CCL, a intervenção precoce pode retardar a progressão para demência e melhorar a qualidade de vida do paciente.
Os critérios para CCL incluem queixa cognitiva (do paciente ou informante), evidência de declínio cognitivo objetivo em um ou mais domínios, preservação das atividades instrumentais de vida diária e ausência de demência.
A disacusia pode mimetizar ou exacerbar dificuldades cognitivas, dificultando a avaliação e o desempenho em testes. É crucial corrigi-la (ex: prótese auditiva) para uma avaliação cognitiva mais precisa e para otimizar a função cerebral.
No CCL, o prejuízo cognitivo é notável, mas não interfere significativamente nas atividades instrumentais de vida diária. Na demência leve, o prejuízo cognitivo já causa impacto funcional nessas atividades, mesmo que de forma sutil.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo