Pré-natal: Manejo de Complicações e Rastreamento

SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2021

Enunciado

É de suma importância atentar durante o pré-natal sobre o correto manejo com uso de medicações e procedimentos que porventura possibilitem prevenção das complicações obstétricas e/ou fetais. Assinale alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) Os inibidores da enzima de conversão da Angiotensina e os antagonistas dos receptores da Angiotensina II são contraindicados na gravidez devido à sua associação com restrição do crescimento fetal, oligohidrâmnio, insuficiência renal neonatal e morte neonatal.
  2. B) Em gestantes com insuficiência istmo cervical, com história de duas ou mais perdas no 2º trimestre, sem sangramento, com dilatação cervical e sem dor, recomenda-se a cerclagem eletiva, que deve ser realizada entre 12–14 semanas da gravidez, após a ultrassonografia mostrar feto vivo e sem anomalias.
  3. C) Em gestantes Rh-negativo e coombs indireto negativo sempre deve ser feita a prescrição de imunoglobulina anti-D quando ela apresentar sangramento em qualquer período gestacional a fim de evitar isoimunização ABO - RH.
  4. D) Nem toda gestante que for submetida a uma ultrassonografia obstétrica entre 20 e 24 semanas deve ter uma avaliação do comprimento cervical por via transvaginal visto que os estudos atuais mostram não haver correlação desta medida com risco de parto pré termo.

Pérola Clínica

Comprimento cervical transvaginal 20-24 semanas → importante para rastreio de parto pré-termo, especialmente em gestantes de risco.

Resumo-Chave

A avaliação do comprimento cervical por ultrassonografia transvaginal entre 20 e 24 semanas é uma ferramenta valiosa para identificar gestantes com risco aumentado de parto pré-termo, contrariando a afirmação da alternativa D de que não há correlação. Sua realização é recomendada em gestações de risco ou mesmo em algumas de baixo risco.

Contexto Educacional

O pré-natal é um período crítico para a identificação e manejo de fatores de risco e complicações que podem afetar a gestante e o feto. A atenção ao uso de medicações é fundamental, pois muitos fármacos podem ter efeitos teratogênicos ou tóxicos. Por exemplo, inibidores da enzima de conversão da Angiotensina (IECA) e bloqueadores dos receptores da Angiotensina II (BRAs) são estritamente contraindicados na gravidez devido aos seus graves efeitos adversos fetais, como restrição de crescimento e insuficiência renal. Procedimentos preventivos, como a cerclagem cervical, são vitais para gestantes com insuficiência istmo-cervical e histórico de perdas gestacionais no segundo trimestre. A cerclagem eletiva, realizada precocemente no segundo trimestre, visa reforçar o colo uterino e prevenir o parto pré-termo. Outro ponto crucial é a prevenção da isoimunização Rh em gestantes Rh-negativo, que exige a administração de imunoglobulina anti-D em situações de risco, como sangramentos, traumas ou procedimentos invasivos, para evitar a formação de anticorpos maternos que poderiam afetar gestações futuras. O rastreamento do parto pré-termo é uma prioridade. A ultrassonografia transvaginal para medir o comprimento cervical entre 20 e 24 semanas é uma ferramenta diagnóstica importante, especialmente em gestantes de alto risco. Estudos demonstram uma clara correlação entre um colo curto e o aumento do risco de parto prematuro, permitindo a implementação de estratégias de prevenção, como o uso de progesterona. O conhecimento aprofundado dessas diretrizes é essencial para a prática clínica do residente.

Perguntas Frequentes

Por que inibidores da ECA e BRAs são contraindicados na gravidez?

Inibidores da ECA e antagonistas dos receptores da Angiotensina II são contraindicados na gravidez devido aos riscos de restrição do crescimento fetal, oligohidrâmnio, insuficiência renal neonatal e morte neonatal, especialmente no segundo e terceiro trimestres.

Quando a cerclagem cervical é indicada no pré-natal?

A cerclagem cervical é indicada em gestantes com insuficiência istmo-cervical, com história de duas ou mais perdas no 2º trimestre, sem sangramento, com dilatação cervical e sem dor. Deve ser realizada entre 12-14 semanas, após ultrassonografia fetal normal.

Qual a importância da medida do comprimento cervical por ultrassom transvaginal?

A medida do comprimento cervical por ultrassom transvaginal entre 20 e 24 semanas é crucial para o rastreamento do risco de parto pré-termo. Um colo curto é um forte preditor de parto prematuro, permitindo a implementação de medidas preventivas como progesterona ou cerclagem.

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