UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2023
Paciente feminina, de 63 anos, procurou a Emergência por quadro de dor lombar de forte intensidade, iniciada há 2 dias, com piora progressiva, evoluindo para parestesias nos membros inferiores. Informou ter 1 nódulo na mama esquerda, que vinha crescendo há mais de 2 anos sem investigação, e 1 nódulo na axila esquerda, surgido há 3 meses. Ao exame físico, encontrava-se em regular estado geral, com mucosas úmidas e coradas, fácies de dor e dificuldade de deambulação (pela dor lombar). As auscultas cardíaca e pulmonar não revelaram alterações, e o exame neurológico mostrou força preservada nos membros inferiores. Diante do quadro clínico, qual a conduta mais adequada?
Dor lombar + parestesias em MMII + história de câncer (ou suspeita) → investigar compressão medular metastática com RM urgente.
Em pacientes com história de neoplasia (ou alta suspeita, como nódulos de mama e axila em crescimento) que apresentam dor lombar progressiva e sintomas neurológicos (parestesias, dificuldade de deambulação), a compressão medular metastática é uma urgência oncológica que exige investigação imediata com ressonância magnética da coluna para evitar danos neurológicos irreversíveis.
A compressão medular metastática (CMM) é uma urgência oncológica que ocorre quando um tumor primário (mais comumente mama, pulmão, próstata, rim, mieloma) metastatiza para a coluna vertebral, comprimindo a medula espinhal. É fundamental para residentes reconhecerem essa condição, pois o atraso no diagnóstico e tratamento pode resultar em déficits neurológicos permanentes, incluindo paraplegia. A CMM manifesta-se principalmente por dor lombar ou cervical, que pode ser progressiva e irradiada. Sintomas neurológicos como fraqueza, parestesias, alterações sensoriais e disfunção esfincteriana podem se desenvolver rapidamente. A suspeita deve ser alta em pacientes com história de câncer ou com nódulos suspeitos, como no caso da paciente com nódulos de mama e axila. O diagnóstico é confirmado por ressonância magnética da coluna. A conduta inicial envolve analgesia e corticoterapia sistêmica (dexametasona) para reduzir o edema. O tratamento definitivo pode incluir radioterapia, cirurgia descompressiva ou uma combinação de ambos, dependendo do tipo de tumor, extensão da doença e estado geral do paciente. A intervenção precoce é crucial para preservar a função neurológica.
Os sintomas incluem dor lombar ou cervical progressiva, fraqueza muscular, parestesias, alterações sensoriais, disfunção vesical/intestinal e ataxia, variando conforme o nível da compressão.
A ressonância magnética (RM) da coluna é o exame de imagem de escolha, pois oferece excelente resolução para tecidos moles e permite visualizar a medula espinhal e as metástases.
A conduta inicial inclui analgesia, corticoterapia sistêmica (dexametasona) para reduzir o edema peritumoral e investigação diagnóstica urgente com RM, seguida de tratamento específico (cirurgia, radioterapia).
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