Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2024
Mulher de 66 anos apresenta quadro de dor lombar, náuseas e constipação. Ela está em tratamento paliativo por câncer de mama com metástases hepáticas e está em uso de tamoxifeno. Ao ser questionada, refere que sente dor há várias semanas, mas piorou nos últimos dias, com irradiação para coxa direita e “sensação de alfinetadas”. Relata também que sofreu duas quedas em casa. Ao exame neurológico: não há dor à palpação da coluna; o tônus é normal; a força está reduzida (grau 4/5) na flexão do joelho (bilateralmente) e na dorsiflexão do tornozelo direito; os reflexos estão intactos e não há perda sensorial. Considerando a principal hipótese para essa evolução, assinale a alternativa correta.
Câncer metastático + dor lombar progressiva + déficit neurológico → suspeitar compressão medular, imobilizar e RM urgente.
A compressão medular metastática é uma emergência oncológica que requer diagnóstico e tratamento rápidos para preservar a função neurológica. A presença de dor lombar em paciente oncológico, especialmente com déficits motores progressivos e parestesias, mesmo sem um nível sensorial claro, é altamente sugestiva. A imobilização da coluna e a realização de uma RM de urgência são passos cruciais na conduta.
A compressão medular metastática (CMM) é uma emergência oncológica que ocorre em 5-10% dos pacientes com câncer, sendo o câncer de mama uma das principais causas. A dor lombar é o sintoma mais comum, presente em mais de 90% dos casos, e frequentemente precede os déficits neurológicos. A progressão da dor, irradiação e o surgimento de fraqueza ou parestesias são sinais de alerta. A CMM pode levar a paraplegia e disfunção esfincteriana se não tratada rapidamente. O diagnóstico de CMM é primariamente clínico, baseado na suspeita em pacientes com câncer e sintomas neurológicos compatíveis. O exame neurológico pode revelar fraqueza motora, alterações sensoriais (nem sempre um nível claro) e reflexos alterados. A ressonância magnética (RM) de toda a coluna é o padrão-ouro para o diagnóstico, pois permite visualizar a extensão da doença e o grau de compressão. A urgência na realização da RM é fundamental. A conduta inicial na suspeita de CMM inclui a imobilização da coluna para prevenir lesões adicionais e o início imediato de corticosteroides em altas doses (geralmente dexametasona) para reduzir o edema peritumoral e aliviar a compressão. Após a confirmação diagnóstica pela RM, o tratamento definitivo pode incluir radioterapia, cirurgia descompressiva ou uma combinação de ambos, dependendo do tipo de tumor, extensão da doença e estado geral do paciente.
Os sinais de alerta incluem dor lombar progressiva em paciente oncológico, fraqueza nos membros inferiores, parestesias, alterações esfincterianas (retenção urinária ou fecal) e instabilidade da marcha, mesmo na ausência de um nível sensorial claro.
A RM é o exame de escolha devido à sua alta sensibilidade e especificidade para visualizar a medula espinhal, raízes nervosas e estruturas ósseas e de partes moles, permitindo identificar o local e a extensão da compressão.
A imobilização da coluna previne danos adicionais. Esteroides em alta dose (ex: dexametasona) são frequentemente iniciados empiricamente para reduzir o edema peritumoral e aliviar a compressão, enquanto se aguarda o diagnóstico definitivo e o tratamento específico.
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