IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2021
Dentre as complicações possíveis durante um procedimento abdominal por videolaparoscopia, é correto afirmar:
Pneumoperitônio com CO2 → absorção CO2 → ↑ PaCO2 e acidose respiratória, piora V/Q.
O pneumoperitônio com CO2 na videolaparoscopia leva à absorção de CO2 pela cavidade peritoneal, resultando em hipercapnia e acidose respiratória. Além disso, a pressão intra-abdominal elevada pode comprometer a função pulmonar, alterando a relação ventilação-perfusão e aumentando o risco de shunts intrapulmonares.
A videolaparoscopia é uma técnica cirúrgica minimamente invasiva amplamente utilizada, mas não isenta de riscos e complicações. As complicações podem ser divididas em relacionadas à criação do pneumoperitônio, à introdução dos trocartes e às manipulações intra-abdominais. A criação do pneumoperitônio, geralmente com CO2, é um passo crucial e induz alterações fisiológicas significativas. A insuflação de CO2 na cavidade peritoneal resulta na sua absorção para a corrente sanguínea, levando a um aumento da PaCO2 (hipercapnia) e consequente acidose respiratória. O corpo tenta compensar isso aumentando a ventilação. Além disso, a pressão intra-abdominal elevada comprime o diafragma, reduzindo a complacência pulmonar e o volume pulmonar, o que pode levar a atelectasias e piora da relação ventilação-perfusão (V/Q), favorecendo o aparecimento de shunts intrapulmonares. Essas alterações exigem monitoramento anestésico rigoroso e ajustes na ventilação. Quanto à introdução do primeiro trocarte, tanto o método "às cegas" (com agulha de Veress e trocarte) quanto o método aberto (Hasson) apresentam riscos de lesões viscerais e vasculares. Embora o método aberto seja considerado por alguns como mais seguro, nenhum dos dois é completamente isento de complicações. As lesões às cegas tendem a ser mais graves devido à natureza inadvertida e ao potencial de lesão de grandes vasos ou órgãos. A segurança do pneumoperitônio ou a escolha do método de introdução não eliminam completamente os riscos inerentes ao procedimento.
A introdução do primeiro trocarte, seja às cegas ou por método aberto, apresenta riscos de lesões vasculares (grandes vasos) e viscerais (intestino, bexiga), sendo as lesões às cegas potencialmente mais graves, embora o método aberto não seja isento de riscos.
O pneumoperitônio, ao insuflar CO2 na cavidade abdominal, causa absorção de CO2, levando a hipercapnia e acidose respiratória. A pressão intra-abdominal elevada também restringe a excursão diafragmática, diminuindo a complacência pulmonar e o volume pulmonar, o que pode levar a atelectasias e piora da relação ventilação-perfusão.
Shunts intrapulmonares são áreas do pulmão que são perfundidas, mas não ventiladas, resultando em sangue não oxigenado retornando à circulação. Na laparoscopia, a pressão abdominal e a posição do paciente podem agravar a má distribuição de ventilação, aumentando esses shunts e piorando a oxigenação.
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