HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2025
Homem, de 43 anos de idade, comparece à unidade de emergência com queixa de dor abdominal que irradia para dorso, náuseas e vômitos, há seis horas. Teve um quadro semelhante previamente, com diagnóstico de nefrolitíase e tendo expelido o cálculo espontaneamente. Ao exame, apresenta pressão arterial de 120x80mmHg, frequência cardíaca de 95bpm e frequência respiratória de 17irpm. O abdome está semigloboso por adiposidade, flácido e doloroso à percussão de flanco esquerdo. Foi feita uma tomografia de abdome e pelve sem contraste, que evidenciou a presença de um cálculo pequeno no ureter, sendo indicada ureterolitotripsia. No pós-operatório, o paciente apresentou uma complicação deste procedimento. Assinale a alternativa que traz as possíveis complicações que o paciente teve:
Ureteroscopia: complicações agudas incluem perfuração e avulsão ureteral; a complicação tardia mais temida é a estenose (estreitamento) do ureter.
A ureterolitotripsia é um procedimento minimamente invasivo para tratar cálculos ureterais. Suas principais complicações decorrem do trauma mecânico ou térmico na parede delicada do ureter, podendo causar lesões agudas (perfuração) ou cicatrização anormal, que leva à estenose tardia.
A ureterolitotripsia, ou ureteroscopia com litotripsia, é um procedimento endourológico padrão-ouro para o tratamento de cálculos localizados no ureter. Apesar de ser minimamente invasiva e altamente eficaz, não é isenta de riscos. As complicações podem ser divididas em agudas (intraoperatórias ou pós-operatórias imediatas) e tardias. As complicações agudas mais comuns estão relacionadas ao trauma direto no ureter. A perfuração ureteral é a mais frequente, ocorrendo quando o aparelho ou seus instrumentos atravessam a parede do ureter. Lesões mais graves, como a avulsão (arrancamento) do ureter, são raras, mas devastadoras. Outras complicações agudas incluem infecção, sangramento e dor. Entre as complicações tardias, a estenose ureteral é a mais significativa. Ela resulta de uma cicatrização excessiva no local de uma lesão prévia da mucosa ureteral, levando a um estreitamento que obstrui o fluxo de urina. A estenose pode causar dor crônica, hidronefrose e deterioração da função renal, exigindo novos procedimentos para correção. O conhecimento dessas potenciais complicações é vital para o manejo adequado do paciente no pós-operatório e para o aconselhamento pré-operatório.
As complicações agudas incluem perfuração ureteral, sangramento, infecção (podendo evoluir para urosepse) e migração do cálculo ('steinstrasse'). A avulsão ureteral é uma complicação aguda rara, porém gravíssima, que constitui uma emergência urológica.
A maioria das perfurações ureterais são pequenas e podem ser manejadas de forma conservadora com a inserção de um cateter ureteral (duplo J) por 4 a 6 semanas. O cateter permite a cicatrização do ureter sobre um molde e garante a drenagem adequada da urina, prevenindo extravasamento e formação de estenose.
Estenose ureteral é um estreitamento do ureter causado por tecido cicatricial. Ela ocorre tardiamente, meses a anos após o procedimento, como resultado de um processo de cicatrização anormal decorrente de lesão da mucosa ureteral pelo ureteroscópio, energia do laser ou por um cálculo impactado por longo tempo.
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