HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2024
Paciente masculino, 51 anos, IMC 38 kg/m2, hipertenso de longa data em uso irregular de esquema triplo de anti-hipertensivos, DM2 não insulino-dependente. Diagnosticado há 9 dias com COVID-19, hoje procura pronto atendimento por dor abdominal de início súbito, forte intensidade, localização periumbilical com piora pós prandial e acompanhada de náuseas e vômitos biliosos. Sobre o quadro clínico acima é correto afirmar:
COVID-19 ↑ risco trombótico, especialmente em idosos, homens, obesos, hipertensos e diabéticos, mas todos estão em risco.
A COVID-19 é uma doença pró-trombótica, e pacientes com comorbidades como obesidade, hipertensão e diabetes têm um risco significativamente maior de eventos trombóticos, incluindo isquemia mesentérica. No entanto, mesmo indivíduos jovens e sem comorbidades podem desenvolver complicações graves.
A infecção por SARS-CoV-2, causadora da COVID-19, é reconhecida por induzir um estado pró-trombótico significativo, com risco aumentado de eventos tromboembólicos arteriais e venosos. A fisiopatologia envolve disfunção endotelial, inflamação sistêmica e ativação da cascata de coagulação, resultando em coagulopatia associada à COVID-19. A isquemia mesentérica, embora menos comum, é uma complicação grave que pode ocorrer nesse contexto, especialmente em pacientes com comorbidades pré-existentes. O diagnóstico da isquemia mesentérica é desafiador, pois os sintomas podem ser inespecíficos, como dor abdominal intensa e desproporcional ao exame físico, náuseas e vômitos. A tomografia computadorizada com contraste é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico, identificando trombos e sinais de isquemia. A dosagem de D-dímeros pode estar elevada, mas não é diagnóstica por si só. O tratamento da isquemia mesentérica é uma emergência médico-cirúrgica, frequentemente envolvendo revascularização e ressecção de segmentos intestinais necróticos. A anticoagulação é fundamental, e a antibioticoterapia empírica é indicada para cobrir a translocação bacteriana. É crucial que residentes e profissionais de saúde estejam cientes do risco trombótico da COVID-19 e mantenham alto índice de suspeita para complicações como a isquemia mesentérica, mesmo em pacientes jovens ou com sintomas atípicos.
Os principais fatores incluem idade avançada, sexo masculino, obesidade, histórico de doenças cardiovasculares, hipertensão e diabetes. No entanto, a COVID-19 pode induzir trombose mesmo em pacientes jovens e sem comorbidades.
A COVID-19 causa uma resposta inflamatória sistêmica intensa e disfunção endotelial, levando a um estado de hipercoagulabilidade. Isso pode resultar na formação de trombos em diversos leitos vasculares, incluindo os vasos mesentéricos.
Dor abdominal súbita e intensa, desproporcional ao exame físico, náuseas, vômitos, diarreia e sangramento gastrointestinal. A piora pós-prandial é um sinal clássico, e a suspeita deve ser alta em pacientes com fatores de risco.
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