Urgências em Cirurgia Filtrante: Toque Cristalino-Córnea

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2006

Enunciado

O problema que requer o tratamento mais urgente após uma cirurgia filtrante para glaucoma é:

Alternativas

  1. A) Câmara anterior rasa com toque cristalino-córnea
  2. B) Câmara anterior rasa com toque íris-córnea
  3. C) Descolamento de coroide localizado
  4. D) Bolha cística

Pérola Clínica

Toque cristalino-córnea (Grau III) → Urgência máxima por risco iminente de lesão endotelial e catarata.

Resumo-Chave

A câmara anterior rasa após trabeculectomia exige gradação imediata; o contato entre o cristalino e o endotélio corneano é a complicação mais grave devido ao dano celular irreversível.

Contexto Educacional

A trabeculectomia é o padrão-ouro para cirurgia filtrante de glaucoma, mas o manejo do pós-operatório imediato é crítico. A câmara anterior rasa é uma ocorrência comum, frequentemente associada à hipotonia ocular. A classificação de Spaeth ajuda a graduar essa condição: Grau I (toque íris-córnea periférico), Grau II (toque íris-córnea total, mas cristalino livre) e Grau III (toque cristalino-córnea). Fisiopatologicamente, o contato entre o cristalino e o endotélio impede a nutrição adequada da córnea pelo humor aquoso e causa trauma mecânico direto. Se não corrigido em poucas horas, resulta em edema de córnea persistente e opacificação do cristalino. O residente deve estar atento para diferenciar esta condição de outras complicações como a bolha cística, que é uma complicação tardia e geralmente benigna, a menos que cause desconforto ou infecção (blebite).

Perguntas Frequentes

O que define a urgência no toque cristalino-córnea?

A urgência é definida pelo risco de descompensação corneana irreversível e formação de catarata. Quando o cristalino toca o endotélio (Atalamia Grau III), ocorre morte celular endotelial mecânica imediata. Diferente do toque íris-córnea (Grau I ou II), onde a periferia da câmara está rasa mas o centro preservado, o toque central representa falência total da arquitetura da câmara anterior, exigindo reforma cirúrgica ou uso de viscoelásticos para proteger as estruturas intraoculares e manter a viabilidade da córnea.

Como diferenciar as causas de câmara rasa no pós-operatório?

A diferenciação baseia-se na pressão intraocular (PIO) e no exame clínico. Se a PIO estiver baixa, as causas prováveis são excesso de filtração (Seidel positivo ou orifício escleral muito patente) ou descolamento de coroide (seroso ou hemorrágico). Se a PIO estiver alta, deve-se suspeitar de glaucoma maligno (bloqueio ciliar), onde o humor vítreo é desviado para o espaço posterior, empurrando o diafragma íris-cristalino para frente. O teste de Seidel com fluoresceína é essencial para descartar vazamentos externos pela bolha ou incisão.

Qual o manejo inicial da câmara anterior rasa?

O manejo depende do grau de profundidade e da causa. Casos leves (Grau I) com PIO controlada podem ser observados com curativo compressivo e midriáticos. No entanto, se houver toque cristalino-córnea, a intervenção deve ser imediata. Isso pode incluir a injeção de ar ou substância viscoelástica na câmara anterior para restaurar o volume, ajuste de suturas do retalho escleral se houver hiperfiltração, ou drenagem de fluido supracoroidiano se o descolamento de coroide for a causa base da hipotonia e do estreitamento da câmara.

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