UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2024
Primigesta de 24 anos, com 39 semanas, está em trabalho de parto, conforme o partograma da imagem a seguir.As possíveis complicações decorrentes dessa evolução são:
Trabalho de parto prolongado → ↑ risco de hipotonia uterina (hemorragia) e lacerações de trajeto (trauma).
Um trabalho de parto prolongado, evidenciado por um partograma que mostra progressão inadequada, aumenta significativamente o risco de complicações maternas. As principais são a hipotonia uterina, que predispõe à hemorragia pós-parto devido à falha do útero em contrair-se adequadamente, e as lacerações de trajeto, resultantes do esforço prolongado e do trauma mecânico nos tecidos moles do canal de parto.
O trabalho de parto é um processo fisiológico complexo, e sua progressão é monitorada através do partograma para identificar desvios da normalidade que possam indicar distocia. Um trabalho de parto prolongado é uma das distocias mais comuns e está associado a um aumento significativo no risco de complicações maternas e fetais. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para garantir a segurança da mãe e do bebê. As complicações maternas decorrentes de um trabalho de parto prolongado são variadas, mas duas das mais frequentes e importantes são a hipotonia uterina e as lacerações de trajeto. A hipotonia uterina refere-se à falha do útero em contrair-se adequadamente após o parto, o que é a principal causa de hemorragia pós-parto. O útero, exaurido por contrações prolongadas e ineficazes, perde seu tônus e não consegue comprimir os vasos sanguíneos do leito placentário. As lacerações de trajeto, por sua vez, são lesões nos tecidos moles do canal de parto (colo, vagina, períneo) causadas pelo trauma mecânico prolongado e pela pressão excessiva da apresentação fetal. Para residentes em obstetrícia, a interpretação do partograma e a identificação de um trabalho de parto prolongado são habilidades essenciais. O manejo pode envolver medidas de suporte, amniotomia, uso de ocitocina para melhorar as contrações, e, em alguns casos, a decisão por uma cesariana. A prevenção e o tratamento rápido da hipotonia uterina e das lacerações são fundamentais para evitar morbidade e mortalidade materna. A atenção à progressão do parto e a intervenção oportuna são pilares da boa prática obstétrica.
No partograma, um trabalho de parto prolongado é indicado por uma progressão lenta ou ausente da dilatação cervical (fase ativa) ou da descida da apresentação fetal, que se desvia da curva de alerta ou de ação. Isso pode incluir dilatação cervical que não avança por mais de 2 horas na fase ativa ou descida fetal estacionária.
A hipotonia uterina ocorre porque o músculo uterino, após um período prolongado de contrações intensas e ineficazes, pode se esgotar e perder sua capacidade de contrair-se adequadamente após o parto. Essa falha na contração impede a compressão dos vasos sanguíneos no leito placentário, levando à hemorragia pós-parto.
As lacerações de trajeto (colo, vagina, períneo) estão relacionadas ao trabalho de parto prolongado devido ao trauma mecânico repetitivo e prolongado nos tecidos moles do canal de parto. O esforço excessivo e a pressão contínua da cabeça fetal contra essas estruturas, especialmente em casos de distocia, aumentam o risco de lesões.
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