Complicações Pós-Tireoidectomia: Frequência e Manejo

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher de 32 anos submetida a tireoidectomia total por bócio volumoso. No pós-operatório imediato, apresentou hematoma cervical com necessidade de nova abordagem para identificar o foco do sangramento. Queixou-se no primeiro pós-operatório de disfonia e tosse após tomar líquido. Realizou laringoscopia, quando foi identificada paralisia de prega vocal esquerda. Voltando para a enfermaria após realizar a laringoscopia iniciou quadro de parestesia em lábios, mãos e pés. No retorno ambulatorial, dez dias após a cirurgia, queixava-se de dor, hiperemia no pescoço e febre, fez exames de imagem que identificaram coleção cervical sugestiva de abscesso. Qual dessas complicações é a mais frequente no pós-operatório de tireoidectomia total?

Alternativas

  1. A) Paralisia de prega vocal.
  2. B) Hipocalcemia.
  3. C) Hematoma.
  4. D) Abscesso cervical.

Pérola Clínica

Hipocalcemia transitória = complicação mais comum pós-tireoidectomia total.

Resumo-Chave

A hipocalcemia decorre do hipoparatireoidismo transitório por manipulação ou isquemia das glândulas paratireoides, sendo a intercorrência mais prevalente após tireoidectomia total.

Contexto Educacional

A tireoidectomia total é um procedimento comum, mas associado a riscos específicos devido à anatomia nobre da região cervical. A hipocalcemia pós-operatória atinge até 30% dos pacientes de forma transitória, sendo o monitoramento do cálcio iônico e do PTH nas primeiras 24 horas uma prática padrão para guiar a alta hospitalar segura. A técnica cirúrgica meticulosa, com identificação sistemática dos nervos laríngeos e preservação da vascularização das paratireoides, é o principal fator para reduzir a morbidade. Além das complicações metabólicas e neurológicas, a vigilância para complicações infecciosas e hemorrágicas deve ser mantida no período imediato e tardio.

Perguntas Frequentes

Por que a hipocalcemia é comum após tireoidectomia?

A hipocalcemia é a complicação mais frequente devido ao hipoparatireoidismo transitório. Isso ocorre porque as glândulas paratireoides, localizadas adjacentes à tireoide, podem sofrer trauma mecânico, desvascularização acidental ou ser removidas inadvertidamente durante o procedimento. A queda dos níveis de PTH leva à redução do cálcio sérico, manifestando-se clinicamente por parestesias periorais e de extremidades, além dos sinais de Chvostek e Trousseau. O manejo envolve a reposição de cálcio oral e, se necessário, calcitriol, monitorando a recuperação da função paratireoidiana.

Qual a gravidade do hematoma cervical pós-operatório?

Embora menos frequente que a hipocalcemia, o hematoma cervical é uma emergência cirúrgica potencialmente fatal. O acúmulo de sangue no espaço profundo do pescoço pode causar compressão extrínseca da traqueia e edema de glote, levando à obstrução aguda das vias aéreas. O reconhecimento precoce de abaulamento cervical, estridor e desconforto respiratório é crucial. O tratamento imediato exige a abertura da ferida operatória à beira do leito para descompressão, seguida de revisão cirúrgica em centro cirúrgico para hemostasia definitiva.

Como diferenciar lesão de nervo laríngeo superior e recorrente?

A lesão do nervo laríngeo recorrente causa paralisia da prega vocal ipsilateral, resultando em disfonia (voz soprosa) e risco de aspiração, especialmente de líquidos. Se bilateral, pode causar obstrução respiratória aguda. Já a lesão do nervo laríngeo superior (ramo externo) afeta o músculo cricotireóideo, prejudicando a tensão da prega vocal; o paciente apresenta fadiga vocal e dificuldade em atingir tons agudos, mas a laringoscopia em repouso pode parecer normal, dificultando o diagnóstico clínico imediato.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo