São Leopoldo Mandic - Faculdade de Medicina (SP) — Prova 2025
Qual é a complicação mais comum associada à cirurgia de revascularização miocárdica?
A complicação mais frequente após cirurgia de revascularização do miocárdio (CRM) é a fibrilação atrial (FA) pós-operatória.
Arritmias, principalmente a fibrilação atrial, são a complicação mais comum após revascularização miocárdica, ocorrendo em até 40% dos pacientes. Fatores como idade avançada, manipulação cardíaca e resposta inflamatória sistêmica contribuem para sua alta incidência.
A cirurgia de revascularização miocárdica (CRM) é um procedimento de grande porte que, apesar dos avanços técnicos, está associado a uma série de complicações pós-operatórias. O conhecimento da incidência e do manejo dessas complicações é vital para o cuidado intensivo do paciente. Dentre as diversas intercorrências possíveis, as arritmias cardíacas se destacam como as mais frequentes. A fibrilação atrial (FA) pós-operatória é a arritmia mais comum, com incidência variando de 20% a 40% dos casos. Sua fisiopatologia é multifatorial, envolvendo a resposta inflamatória sistêmica à circulação extracorpórea, o estresse cirúrgico, distúrbios eletrolíticos, isquemia atrial e a manipulação direta do coração. O pico de incidência ocorre entre o segundo e o terceiro dia de pós-operatório. Embora muitas vezes autolimitada, a FA pós-operatória pode levar a instabilidade hemodinâmica, aumentar o risco de eventos tromboembólicos (como AVC) e prolongar o tempo de internação hospitalar. O manejo envolve o controle da frequência cardíaca, a reversão do ritmo em pacientes instáveis e a avaliação da necessidade de anticoagulação, tornando seu reconhecimento e tratamento um ponto-chave na recuperação do paciente.
Os principais fatores de risco incluem idade avançada, hipertensão arterial, doença pulmonar crônica, disfunção ventricular esquerda pré-existente e suspensão de beta-bloqueadores no pré-operatório. O próprio procedimento cirúrgico, com a circulação extracorpórea e o estresse inflamatório, é um gatilho importante.
Em pacientes com fibrilação atrial de alta resposta ventricular e instabilidade hemodinâmica (hipotensão, edema agudo de pulmão), a conduta imediata é a cardioversão elétrica sincronizada. O manejo farmacológico é reservado para pacientes estáveis.
Outras complicações relevantes incluem sangramento (tamponamento cardíaco), infecção do sítio cirúrgico (mediastinite), insuficiência renal aguda, complicações pulmonares (atelectasia, pneumonia) e eventos neurológicos (AVC, delírium).
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