SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2022
Uma paciente de 35 anos está na sala de recuperação após uma tiroidectomia total. A saturação está caindo abaixo de 80%, e a paciente apresenta voz rouca e estridulosa. Qual a conduta apropriada para reverter essa situação?
Pós-tireoidectomia + estridor + SatO2 ↓ = Hematoma compressivo. Conduta: Abertura imediata da ferida cirúrgica.
A queda da saturação, voz rouca e estridor em paciente pós-tireoidectomia são sinais de obstrução de vias aéreas, frequentemente por hematoma cervical compressivo. A conduta mais imediata e salvadora é a abertura da ferida cirúrgica para aliviar a compressão e evacuar o hematoma, podendo ser realizada à beira do leito.
A tireoidectomia total é um procedimento cirúrgico comum, mas que não está isento de complicações. Uma das mais graves e potencialmente fatais é a obstrução aguda das vias aéreas superiores, que pode ocorrer no período pós-operatório imediato. Residentes e profissionais que atuam em salas de recuperação ou unidades de terapia intensiva devem estar vigilantes para reconhecer e manejar rapidamente essa emergência. Os sinais clássicos de obstrução incluem estridor (um som respiratório agudo e sibilante, indicativo de estreitamento da laringe ou traqueia), rouquidão, dispneia e queda da saturação de oxigênio. A causa mais frequente é o hematoma cervical compressivo, que se forma no leito cirúrgico e comprime a traqueia. Outras causas incluem edema de glote ou lesão bilateral do nervo laríngeo recorrente, embora menos comuns. Diante de um quadro de obstrução de vias aéreas pós-tireoidectomia, a conduta mais apropriada e imediata é a abertura da ferida cirúrgica (pele e planos musculares) para descompressão. Essa manobra pode ser realizada à beira do leito, mesmo sem instrumentação cirúrgica completa, e é crucial para restaurar a permeabilidade da via aérea. Tentar intubar um paciente com compressão extrínseca pode ser extremamente difícil e perigoso, e a traqueostomia de urgência, embora uma opção em casos refratários, é mais demorada. O reconhecimento rápido e a intervenção decisiva são a chave para um desfecho favorável.
Os sinais de alerta incluem estridor (som agudo na inspiração), rouquidão progressiva, dispneia, taquipneia, agitação, cianose e queda da saturação de oxigênio. A presença de um abaulamento cervical pode indicar hematoma.
A causa mais comum de obstrução de vias aéreas após tireoidectomia é o hematoma cervical compressivo. Outras causas incluem edema de laringe (pós-intubação ou por lesão), lesão do nervo laríngeo recorrente bilateral e hipocalcemia grave com laringoespasmo.
A abertura da ferida cirúrgica é a primeira conduta porque permite a descompressão imediata das vias aéreas, aliviando a pressão exercida pelo hematoma. É uma medida rápida e eficaz que pode ser realizada à beira do leito, salvando a vida do paciente antes de outras intervenções mais complexas.
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