Fatores de Risco no Pós-Operatório de Colectomia

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025

Enunciado

Paciente, sexo masculino, 65 anos de idade, realizou quimioterapia neoadjuvante e está no 5º dia de pós-operatório de colectomia direita com anastomose ileocólica para tratamento de adenocarcinoma de cólon. O paciente já estava com dieta de água, chá e gelatina, quando passou a cursar com distensão e dor abdominal. Sem outras queixas. Ao exame físico, bom estado geral, corado, temperatura axilar de 38ºC, FC: 108bpm, PA: 134x78mmHg; abdome levemente distendido, com dor à palpação profunda difusamente, com descompressão brusca negativa; toque retal sem alterações. Diante desse caso clínico:Indique o principal fator de risco para a evolução desfavorável deste paciente no pós-operatório.

Alternativas

  1. A) Introdução da dieta oral com água, chá e gelatina.
  2. B) Alteração do estado nutricional e imunológico.
  3. C) Formação de aderências intestinais no pós-operatório.
  4. D) Distúrbio eletrolítico no pós-operatório.

Pérola Clínica

Neoadjuvância + Desnutrição = ↑ Risco de deiscência e complicações infecciosas pós-op.

Resumo-Chave

O estado nutricional e imunológico, agravado pela quimioterapia neoadjuvante, é o principal determinante de complicações como deiscências e infecções no pós-operatório oncológico.

Contexto Educacional

O manejo do paciente oncológico cirúrgico exige uma visão multidisciplinar. A quimioterapia neoadjuvante, embora essencial para o downstaging tumoral, impõe um desafio à homeostase, afetando a imunidade celular e a capacidade regenerativa. No caso apresentado, a presença de febre e taquicardia no 5º DPO sugere uma complicação inflamatória ou infecciosa em curso. O estado nutricional prévio e o impacto imunológico do tratamento sistêmico são os pilares que sustentam a recuperação ou a falha da anastomose. A literatura reforça que a otimização pré-operatória (preabilitação) é crucial para mitigar esses riscos.

Perguntas Frequentes

Por que a quimioterapia neoadjuvante aumenta o risco cirúrgico?

A quimioterapia neoadjuvante pode interferir na síntese de colágeno e na resposta inflamatória necessária para a cicatrização tecidual. Além disso, frequentemente causa mielossupressão e depleção nutricional, o que predispõe o paciente a infecções de sítio cirúrgico e deiscências de anastomose, especialmente em procedimentos de grande porte como a colectomia.

Qual a importância da avaliação nutricional no pré-operatório oncológico?

A desnutrição é um preditor independente de morbimortalidade. Pacientes com câncer colorretal frequentemente apresentam sarcopenia e hipoalbuminemia. A correção do déficit nutricional, através de imunonutrição ou suporte enteral/parenteral quando indicado, reduz significativamente a taxa de complicações pós-operatórias e o tempo de internação hospitalar.

Como diferenciar íleo paralítico de deiscência de anastomose?

O íleo paralítico costuma ser indolor e sem sinais inflamatórios sistêmicos. Já a deiscência de anastomose geralmente se manifesta entre o 5º e 7º dia pós-operatório com dor abdominal persistente, distensão, febre, taquicardia e, em casos graves, sinais de peritonite ou saída de conteúdo entérico pelo dreno.

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