SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2022
Paciente, sexo masculino, 40 anos de idade, está no 4º dia de pós-operatório de gastroplastia em Y-de-Roux aberta para tratamento de obesidade mórbida, evolui na enfermaria com dor abdominal difusa, hiporexia, náuseas e vômitos. Paciente é portador de diabetes mellitus e hipertensão arterial sistêmica. Ao exame físico, regular estado geral, corado, Temperatura axilar: 37,9ºC, FC: 108bpm, PA: 128x78mmHg, FR: 20imp; ausculta cardíaca e respiratória sem alterações; abdome distendido, ruídos hidroaéreos presentes, flácido, dor de grande intensidade difusamente à palpação profunda e ausência de dor à descompressão brusca. De acordo com os dados apresentados,Indique a conduta terapêutica mais adequada para esse paciente.
Pós-operatório gastroplastia com dor abdominal difusa + taquicardia + febre → Suspeitar fístula/peritonite, indicar laparotomia.
Dor abdominal difusa, taquicardia e febre no pós-operatório de gastroplastia, mesmo sem sinais clássicos de irritação peritoneal (descompressão brusca negativa), são altamente sugestivos de complicação grave como fístula anastomótica ou peritonite. A ausência de peritonite clássica pode ocorrer em pacientes obesos ou com diabetes, que podem ter resposta inflamatória atenuada. A conduta deve ser agressiva.
As complicações pós-operatórias da gastroplastia em Y-de-Roux, especialmente as fístulas anastomóticas, representam um desafio diagnóstico e terapêutico significativo. A incidência varia, mas a mortalidade pode ser alta se não forem reconhecidas e tratadas precocemente. Residentes devem estar atentos a qualquer alteração no estado geral do paciente, mesmo que os sinais clássicos de peritonite não estejam totalmente presentes. O quadro clínico de dor abdominal difusa, taquicardia, febre e hiporexia no pós-operatório de cirurgia bariátrica deve levantar forte suspeita de fístula ou peritonite. A ausência de dor à descompressão brusca não exclui o diagnóstico, pois pacientes obesos ou com comorbidades como diabetes podem ter uma resposta inflamatória atenuada, mascarando os achados. A conduta mais adequada é a laparotomia exploradora. Este procedimento permite a identificação da fístula, o controle da contaminação abdominal e o reparo ou derivação da anastomose, sendo fundamental para o manejo da sepse e a recuperação do paciente. A demora na intervenção cirúrgica aumenta significativamente a morbimortalidade.
Sinais de alerta incluem dor abdominal intensa e difusa, taquicardia persistente, febre, hiporexia, náuseas, vômitos e alterações hemodinâmicas, mesmo na ausência de sinais clássicos de irritação peritoneal.
Diante da alta suspeita de fístula anastomótica ou peritonite no pós-operatório de gastroplastia, a laparotomia exploradora permite o diagnóstico definitivo, controle da fonte de contaminação e reparo da complicação, sendo crucial para evitar sepse e mortalidade.
A obesidade, o uso de analgésicos potentes e comorbidades como diabetes mellitus podem atenuar a resposta inflamatória e mascarar os sinais clássicos de irritação peritoneal, tornando o diagnóstico mais desafiador.
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