HCB - Hospital de Amor de Barretos - Unidade Porto Velho (RO) — Prova 2022
Paciente de 39 anos é submetida à esplenectomia videolaparoscópica há 10 dias, porém, há 1 dia iniciou quadro de febre e dor abdominal. Realizou tomografia de abdome que evidenciou coleção de aproximadamente 210 ml em topografia esplênica. A hipótese mais provável é:
Coleção periesplênica + febre/dor abdominal pós-esplenectomia → suspeitar fístula pancreática.
A fístula pancreática é uma complicação comum da esplenectomia, especialmente quando há manipulação próxima à cauda do pâncreas. A presença de uma coleção em topografia esplênica com febre e dor abdominal no pós-operatório recente é altamente sugestiva, e a confirmação pode ser feita pela dosagem de amilase no líquido da coleção.
A esplenectomia, seja por trauma, doenças hematológicas ou outras indicações, é um procedimento cirúrgico que, apesar de rotineiro, não é isento de complicações. A fístula pancreática é uma das complicações mais temidas e frequentes, especialmente após esplenectomias realizadas por via laparoscópica, onde a visualização e manipulação da cauda do pâncreas podem ser desafiadoras. A proximidade anatômica entre o baço e a cauda do pâncreas torna esta região vulnerável a lesões durante a dissecção. O quadro clínico de febre e dor abdominal, associado à presença de uma coleção líquida em topografia esplênica em um paciente no pós-operatório recente de esplenectomia, deve levantar forte suspeita de fístula pancreática. Outras causas de coleções, como seroma ou abscesso, devem ser consideradas, mas a fístula pancreática exige atenção especial devido ao potencial de complicações graves, como sepse e necrose pancreática. O diagnóstico é confirmado pela análise bioquímica do líquido da coleção, com dosagem de amilase e lipase, que estarão elevadas. O manejo varia desde o tratamento conservador com drenagem percutânea e suporte nutricional até a reintervenção cirúrgica em casos selecionados. O reconhecimento precoce e a intervenção adequada são cruciais para um bom prognóstico. Este é um tema relevante para a prática cirúrgica e para questões de residência, que frequentemente abordam complicações pós-operatórias.
Os sinais e sintomas incluem dor abdominal, febre, taquicardia e, em exames de imagem como a tomografia, a presença de uma coleção líquida na topografia esplênica ou peripancreática. Isso geralmente ocorre nos primeiros dias ou semanas após a cirurgia.
O diagnóstico definitivo é feito pela dosagem de amilase e lipase no líquido da coleção. Níveis elevados desses enzimas, geralmente três vezes maiores que os séricos, confirmam a presença de uma fístula pancreática.
A cauda do pâncreas está anatomicamente muito próxima ao hilo esplênico. Durante a esplenectomia, a manipulação ou lesão inadvertida da cauda pancreática pode levar à extravasamento de suco pancreático, resultando na formação de uma fístula.
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