USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023
Mulher, 27 anos, há 1 ano foi submetida à derivação gástrica em Y de Roux para tratamento de obesidade. Refere perda de 40 kg neste período. Procura o Serviço de Emergência devido à dor abdominal intensa, em cólica difusa, com início há 4 horas. Relata náuseas, porém sem vômitos. Nega melhora com analgésicos. Ao exame clínico, encontra-se em posição antálgica, FC 122 bpm, abdome pouco distendido, doloroso em hipocôndrio esquerdo, sem sinais de irritação peritoneal e com ruídos hidroaéreos aumentados em frequência. Exames laboratoriais: Hb 11,2 g/dL; Ht 38%; Leucograma 17.223/mm³; PCR 17 mg/L; Ureia 90 mg/dL; Creatinina 1,7 mg/dL.Tomografia de abdome apresentada abaixo. Qual deve ser a conduta, além de hidratação e analgesia?
Dor abdominal intensa + taquicardia + leucocitose pós-Y de Roux → suspeitar obstrução/hérnia interna → cirurgia.
Pacientes pós-cirurgia bariátrica, especialmente derivação gástrica em Y de Roux, têm alto risco de complicações como hérnias internas e obstruções intestinais. Dor abdominal intensa, taquicardia e leucocitose são sinais de alerta para uma condição cirúrgica aguda que exige intervenção operatória.
A cirurgia bariátrica, como a derivação gástrica em Y de Roux, é um procedimento eficaz para o tratamento da obesidade mórbida, mas não é isenta de complicações. Pacientes submetidos a essa cirurgia têm um risco aumentado de desenvolver condições abdominais agudas, como hérnias internas, que podem levar à obstrução intestinal e, em casos graves, à isquemia e necrose de alças. A apresentação clínica pode ser atípica devido às alterações anatômicas. A dor abdominal intensa, em cólica, associada a taquicardia e leucocitose, em um paciente pós-bariátrica, deve levantar forte suspeita de uma complicação cirúrgica aguda. A elevação da ureia e creatinina pode indicar desidratação ou, em casos mais graves, lesão renal aguda secundária à sepse ou isquemia. A tomografia de abdome é o exame de imagem de escolha para avaliar essas complicações, embora nem sempre seja conclusiva para hérnias internas. Diante de um quadro clínico e laboratorial sugestivo de abdome agudo cirúrgico em um paciente pós-Y de Roux, a conduta mais apropriada, após estabilização inicial com hidratação e analgesia, é o tratamento operatório. A exploração cirúrgica permite identificar e corrigir a causa da obstrução ou isquemia, prevenindo morbidade e mortalidade significativas. A demora na intervenção pode levar a desfechos desfavoráveis.
As causas mais comuns incluem hérnias internas, obstruções intestinais (aderências, intussuscepção), úlceras marginais, pancreatite e colecistite. Hérnias internas são particularmente preocupantes devido ao risco de estrangulamento.
Sinais como dor intensa e progressiva, taquicardia, febre, leucocitose, sinais de irritação peritoneal ou evidência de obstrução/isquemia em exames de imagem (como a TC) indicam a necessidade de exploração cirúrgica.
A anatomia complexa pós-Y de Roux pode dificultar o diagnóstico clínico e radiológico, mascarando sinais clássicos. A alta suspeição clínica e a pronta realização de exames de imagem são cruciais para identificar complicações como hérnias internas, que podem levar rapidamente à isquemia e necrose intestinal.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo