Complicações de Portocath: Embolia de Fragmento e Arritmias

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2022

Enunciado

Paciente feminina, de 45 anos, em tratamento quimioterápico neoadjuvante para carcinoma ductal invasor da mama direita, sem outras comorbidades, chegou à Emergência com quadro de palpitação e mal-estar. Ao exame físico, apresentava ritmo cardíaco irregular, sudorese e portocath instalado na região infraclavicular esquerda, sem outros achados. Durante a consulta, relatou dificuldades na infusão da quimioterapia no último mês e dor na região da clavícula esquerda no último ciclo, há 3 dias. O eletrocardiograma evidenciou várias extrassístoles ventriculares. O raio X de tórax encontra-se reproduzido abaixo. Qual o diagnóstico e qual a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Arritmia devido à presença de fragmento de cateter dentro do ventrículo direito - remoção do fragmento por cateterismo, retirada cirúrgica do reservatório do portocath e programação de novo implante de cateter guiado por ultrassonografia na veia jugular esquerda.
  2. B) Tromboembolismo pulmonar devido à síndrome de Pinch-off - anticoagulação a pleno.
  3. C) Arritmia devido à presença de fragmento de cateter dentro do ventrículo esquerdo - solicitação de avaliação de cirurgia cardíaca para remoção do fragmento de cateter com parada circulatória.
  4. D) Presença de fragmento de cateter dentro do ventrículo esquerdo - remoção do fragmento por cateterismo, retirada cirúrgica do reservatório do portocath e programação de novo implante de cateter guiado por ultrassonografia na veia jugular direita.

Pérola Clínica

Fragmento de cateter de Portocath no VD → arritmia ventricular. Conduta: remoção por cateterismo.

Resumo-Chave

A embolização de fragmento de cateter de Portocath é uma complicação rara, mas grave, que pode causar arritmias cardíacas (como extrassístoles ventriculares) se o fragmento migrar para o coração. O diagnóstico é feito por imagem (raio-X de tórax) e a conduta é a remoção do fragmento, geralmente por via endovascular.

Contexto Educacional

O Portocath é um dispositivo de acesso venoso central amplamente utilizado em pacientes oncológicos para quimioterapia, mas não está isento de complicações. Embora raras, as complicações mecânicas, como a fratura e embolização do cateter, são graves e exigem reconhecimento e manejo rápidos por parte dos profissionais de saúde. A síndrome de Pinch-off, onde o cateter é comprimido entre a clavícula e a primeira costela, pode levar à fadiga do material e eventual fratura. O fragmento embolizado pode migrar para o coração ou vasos pulmonares. No coração, especialmente no ventrículo direito, pode irritar o miocárdio e causar arritmias, como extrassístoles ventriculares ou taquicardias, manifestando-se como palpitações ou mal-estar. O diagnóstico é confirmado por radiografia de tórax, que revela a localização do fragmento. A conduta mais adequada é a remoção do fragmento, preferencialmente por via endovascular (cateterismo), para evitar complicações maiores como perfuração cardíaca, endocardite ou trombose. Após a remoção, o reservatório do Portocath deve ser retirado e um novo acesso venoso central deve ser considerado em outro local, preferencialmente guiado por ultrassonografia para minimizar riscos de recorrência.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta de uma complicação mecânica do Portocath?

Sinais de alerta incluem dificuldade na infusão ou aspiração, dor no local de inserção ou no trajeto do cateter, edema de membro superior, e sintomas sistêmicos como palpitações, dispneia ou dor torácica.

Por que um fragmento de cateter pode causar arritmias?

Um fragmento de cateter livre no coração, especialmente no ventrículo direito, pode irritar o miocárdio e o sistema de condução, atuando como um foco ectópico e desencadeando arritmias como extrassístoles ventriculares ou taquicardias.

Qual a melhor abordagem para remover um fragmento de cateter intracardíaco?

A remoção é geralmente realizada por via percutânea, através de cateterismo, utilizando laços ou cestas para capturar o fragmento. A cirurgia cardíaca é reservada para casos complexos, falha da abordagem endovascular ou complicações associadas.

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