SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2020
Um paciente de 28 anos de idade chega à emergência do pronto-socorro levado por ambulância após acidente automobilístico a caminho do trabalho em metrópole brasileira, com atendimento pré-hospitalar pela equipe da SAMU, iniciado oito minutos após o chamado. Na chegada à emergência, encontra-se em maca rígida, com colar cervical, com ficha de atendimento pré-hospitalar indicando pressão arterial = 96 mmHg x 64 mmHg, frequência cardíaca = 102 bpm, frequência respiratória = 20 ipm, saturação de oxigênio = 94%, regular estado geral, mucosas úmidas e hipocoradas, escala de coma de Glasgow 12, pupilas isocóricas e fotorreagentes, ausculta pulmonar e cardíaca sem particularidades, abdome globoso, sem sinais de peritonismo, tempo de enchimento capilar de dois segundos, impressão de nítida fratura de membro inferior esquerdo e membro superior direito. Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir. O risco de insuficiência respiratória aguda para esse paciente estará aumentado nos dias subsequentes ao acidente, sobretudo em razão dos efeitos orgânicos secundários do politrauma.
Politrauma + Fraturas de ossos longos → Alto risco de SDRA e Embolia Gordurosa em 24-72h.
O trauma grave desencadeia uma resposta inflamatória sistêmica (SIRS) que, somada a riscos específicos como embolia gordurosa, predispõe à insuficiência respiratória aguda tardia.
O atendimento ao paciente politraumatizado não se encerra na estabilização inicial do ATLS. A fisiopatologia do trauma envolve uma 'segunda onda' de agressão ao organismo, mediada por uma cascata inflamatória sistêmica. Pacientes com múltiplas fraturas e trauma de alta energia, como o descrito, estão sob risco constante de complicações orgânicas secundárias. A insuficiência respiratória aguda nesse contexto é frequentemente multifatorial. Além da SDRA e da embolia gordurosa, deve-se considerar a dor intensa que limita a expansibilidade torácica, o efeito de sedativos ou analgésicos opioides e a possível contusão pulmonar oculta. O reconhecimento de que o paciente pode deteriorar nos dias subsequentes, mesmo após uma admissão estável, é fundamental para o manejo adequado em unidades de terapia intensiva ou observação rigorosa, garantindo intervenção precoce com suporte ventilatório se necessário.
Isso ocorre devido à Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS) desencadeada pela lesão tecidual extensa. A liberação de citocinas pró-inflamatórias aumenta a permeabilidade capilar pulmonar, podendo levar à Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA), que geralmente se manifesta 24 a 48 horas após o evento inicial. Além disso, lesões como a contusão pulmonar podem não ser evidentes na radiografia inicial, tornando-se clinicamente significativas apenas com a evolução do edema e da inflamação local.
Fraturas de ossos longos, como as de fêmur e tíbia (sugeridas no caso), aumentam significativamente o risco de Síndrome de Embolia Gordurosa (SEG). Glóbulos de gordura da medula óssea entram na circulação venosa e atingem o leito capilar pulmonar. Lá, causam obstrução mecânica e lesão química direta pelo metabolismo dos ácidos graxos, resultando em hipoxemia grave, alterações neurológicas e, por vezes, petéquias. Os sintomas costumam surgir entre 12 e 72 horas após o trauma.
O monitoramento deve ser rigoroso e contínuo, incluindo oximetria de pulso, frequência respiratória e avaliação do padrão ventilatório (uso de musculatura acessória). A gasometria arterial é essencial se houver qualquer sinal de desconforto para avaliar a relação PaO2/FiO2. Exames de imagem seriados, como a radiografia de tórax ou tomografia, ajudam a detectar precocemente infiltrados pulmonares ou a progressão de contusões que podem levar à insuficiência respiratória aguda.
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