CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2019
Associe as complicações peroperatórias com suas possíveis causas: I. Queimadura da incisão II. Hérnia de íris III. Descolamento da membrana de Descemet IV. Hidratação conjuntivalA. Incisão limbar B. Túnel muito curto C. Túnel estreito D. Instrumental inadequado
Túnel estreito → Queimadura térmica; Túnel curto → Hérnia de íris.
A arquitetura precisa das incisões na facoemulsificação é vital: túneis muito estreitos impedem o resfriamento da ponteira (queimadura), enquanto túneis curtos favorecem o prolapso de íris.
A facoemulsificação é uma cirurgia de alta precisão onde a dinâmica de fluidos e a transferência de energia dependem criticamente da integridade das incisões. Uma incisão ideal deve ser auto-selante, estável e permitir a livre movimentação do instrumental sem vazamentos excessivos ou compressão da ponteira de ultrassom. A correlação entre erro técnico e complicação é direta: I. Queimaduras térmicas resultam de túneis estreitos que bloqueiam o resfriamento; II. Hérnias de íris derivam de túneis curtos que não sustentam o gradiente de pressão; III. Descolamentos de Descemet ocorrem por trauma mecânico de instrumental inadequado na entrada da câmara; IV. Hidratação conjuntival indesejada acontece quando a incisão é muito limbar/anterior, permitindo que o fluido disseque o espaço subconjuntival. O domínio da técnica de confecção de túneis é, portanto, o primeiro passo para uma cirurgia segura.
A queimadura térmica da incisão (phaco burn) ocorre devido ao superaquecimento da ponteira de ultrassom. A principal causa é a restrição do fluxo de irrigação ao redor da ponteira, geralmente causada por uma incisão (túnel) excessivamente estreita ou pelo uso de uma luva de silicone inadequada. Sem o fluxo constante de fluido para resfriar a ponteira, a energia vibratória gera calor intenso que desnatura o colágeno corneano ou escleral, levando à deformidade da incisão, astigmatismo induzido elevado e dificuldade de fechamento da ferida.
A hérnia ou prolapso de íris através da incisão cirúrgica está frequentemente relacionada a um túnel muito curto ou muito posterior. Uma arquitetura de incisão inadequada cria um gradiente de pressão onde o fluido intraocular tende a sair pela ferida, 'carregando' a íris consigo. Outros fatores contribuintes incluem a Síndrome da Íris Flácida Intraoperatória (IFIS), pressão positiva posterior e o uso de parâmetros de irrigação muito elevados em relação à estabilidade da ferida.
O descolamento da membrana de Descemet ocorre geralmente pela inserção traumática de instrumentos (como a própria ponteira de faco ou cânulas) através de uma incisão mal confeccionada ou com instrumental inadequado/rombo. Para evitar, deve-se garantir que a incisão seja nítida, usar viscoelástico para proteger o endotélio e a Descemet antes de inserir instrumentos e sempre visualizar a ponta do instrumento entrando no espaço da câmara anterior, garantindo que ele esteja acima do plano da membrana.
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