CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2018
Com relação às complicações da cirurgia laser in situ keratomileusis (LASIK), é correto afirmar:
Femto-LASIK → Bolhas de ar na câmara anterior podem interferir no eye-tracker durante a ablação.
O laser de femtossegundo pode gerar bolhas de gás que migram para a câmara anterior, dificultando o rastreamento ocular. O leito estromal residual seguro deve ser >250µm.
O LASIK (Laser-assisted in situ keratomileusis) é uma das cirurgias refrativas mais realizadas no mundo. Embora segura, exige monitoramento rigoroso de parâmetros biomecânicos. A introdução do laser de femtossegundo para a criação do flap aumentou a precisão e segurança em comparação aos microcerátomos mecânicos, mas introduziu fenômenos específicos como a camada de bolhas opacas (OBL) e a migração de gás para a câmara anterior. A compreensão da fisiopatologia das complicações, como o crescimento epitelial na interface (mais comum em retratamentos ou traumas no flap) e a ceratite lamelar difusa (DLK), é essencial para o manejo pós-operatório. O cálculo preciso do leito estromal residual (RSB = Paquimetria Central - Espessura do Flap - Profundidade da Ablação) continua sendo o pilar fundamental para a prevenção da ectasia iatrogênica.
Durante a criação da lamela (flap) com o laser de femtossegundo, pode ocorrer a formação de bolhas de gás (OBL - Opaque Bubble Layer). Em alguns casos, essas bolhas podem migrar através do sistema trabecular ou de microfístulas para a câmara anterior. Uma vez na câmara anterior, as bolhas podem obscurecer a pupila ou alterar o reflexo pupilar, impedindo que o sistema de rastreamento ocular (eye-tracker) do excimer laser localize e siga o centro pupilar corretamente, o que pode levar a descentrações na ablação.
Para minimizar o risco de ectasia corneana pós-operatória, a literatura médica e a prática clínica estabelecem que o leito estromal residual (a parte da córnea que permanece intocada abaixo do flap e após a ablação) deve ter, no mínimo, 250 micra (µm). Valores abaixo disso aumentam significativamente a instabilidade biomecânica da córnea, podendo levar ao abaulamento progressivo e perda de visão.
A síndrome do fluido na interface ocorre quando há um acúmulo de líquido entre o flap e o leito estromal, geralmente associado a um aumento da pressão intraocular (PIO) ou disfunção endotelial. O erro diagnóstico comum é que a tonometria de aplanação (como o Goldmann) realizada sobre o flap pode fornecer uma medida falsamente baixa da PIO devido à complacência do fluido, enquanto a pressão real no olho está perigosamente elevada.
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