Piora Pós-Intubação Pediátrica: Deslocamento ou Obstrução do Tubo

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2019

Enunciado

Menina, 20 meses, com quadro de insuficiência respiratória por pneumonia viral está sendo atendido em sala de emergência. Foi indicada a intubação orotraqueal por falência respiratória. Após sedação com midazolam, cetamina e rocurônio o procedimento foi realizado sem intercorrências, com melhora da oxigenação. O paciente está sendo ventilado com bolsa-válvula-máscara e subitamente há piora da expansibilidade torácica e da entrada de ar bilateralmente, com queda da aturação transcutânea de oxigênio para 89%. EXCLUÍDA A FALHA DE EQUIPAMENTO, A CAUSA DA PIORA É:

Alternativas

  1. A) Efeito adverso das drogas sedativa e anestésica.
  2. B) Deslocamento ou obstrução do tubo endotraqueal.
  3. C) Derrame pleural.
  4. D) Componente intersticial da doença pulmonar.

Pérola Clínica

Piora súbita pós-IOT com ↓ expansibilidade e ↓ entrada de ar → pensar em deslocamento/obstrução do tubo.

Resumo-Chave

Após intubação orotraqueal, uma piora súbita da ventilação com queda da saturação e diminuição da expansibilidade torácica e entrada de ar bilateralmente, na ausência de falha de equipamento, sugere fortemente um problema com o tubo endotraqueal, como deslocamento ou obstrução. A avaliação rápida da posição e patência do tubo é prioritária.

Contexto Educacional

A intubação orotraqueal é um procedimento vital em situações de falência respiratória, especialmente em crianças com pneumonia viral grave. No entanto, é um procedimento que exige vigilância contínua, pois complicações podem surgir rapidamente. A piora súbita do estado respiratório após uma intubação inicialmente bem-sucedida é uma emergência que requer reconhecimento e intervenção imediatos, sendo crucial para a sobrevida do paciente pediátrico. A fisiopatologia da piora súbita pós-intubação, excluindo falha de equipamento, frequentemente se relaciona a problemas mecânicos da via aérea. O deslocamento do tubo pode levar à extubação acidental ou à intubação seletiva de um brônquio principal, resultando em ventilação unilateral e hipoxemia. A obstrução do tubo, por sua vez, pode ser causada por acúmulo de secreções, coágulos sanguíneos ou compressão externa, impedindo a passagem de ar. O manejo imediato envolve uma avaliação rápida e sistemática, utilizando a mnemônica DOPE. A ausculta pulmonar bilateral e a observação da expansibilidade torácica são essenciais para diferenciar entre deslocamento e obstrução. A conduta inclui a correção do problema (reposicionamento, aspiração), e se a melhora não for imediata, a extubação e ventilação manual com bolsa-válvula-máscara, seguida de reintubação, podem ser necessárias para restabelecer uma via aérea patente e adequada.

Perguntas Frequentes

Quais são as causas mais comuns de piora súbita após intubação orotraqueal em crianças?

As causas mais comuns são problemas relacionados ao tubo endotraqueal, como deslocamento (extubação, intubação seletiva brônquica) ou obstrução (por secreções, coágulos, ou mordedura do tubo), além de pneumotórax e falha de equipamento.

Como avaliar rapidamente a causa da piora respiratória pós-intubação?

Deve-se seguir a mnemônica DOPE: D (Displacement - deslocamento do tubo), O (Obstruction - obstrução do tubo), P (Pneumothorax - pneumotórax), E (Equipment failure - falha do equipamento). A ausculta pulmonar e a visualização da expansibilidade torácica são cruciais.

Qual a conduta inicial diante da suspeita de deslocamento ou obstrução do tubo endotraqueal?

A conduta inicial é reposicionar o tubo, aspirar secreções se houver suspeita de obstrução, e se a situação não melhorar, considerar a extubação e ventilação com bolsa-válvula-máscara, seguida de reintubação se necessário.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo