Hernioplastia Incisional Onlay: Complicações e Manejo

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 64 anos de idade, diabética, foi submetida a correção de hérnia incisional através de laparotomia mediana. A técnica operatória empregada foi a colocação de tela de polipropileno sobre a aponeurose (onlay). Na figura a seguir é possível observar o descolamento do tecido subcutâneo da aponeurose e a fixação da tela. Foram colocados 2 drenos fechados devido ao descolamento.Além do seroma, qual é a complicação operatória mais frequente deste procedimento?

Alternativas

  1. A) Necrose de pele e subcutâneo.
  2. B) Infecção crônica da tela.
  3. C) Rejeição da tela.
  4. D) Deiscência da aponeurose.

Pérola Clínica

Hernioplastia incisional com tela onlay → grande descolamento tecidual → maior risco de necrose de pele/subcutâneo e seroma.

Resumo-Chave

A técnica onlay para correção de hérnia incisional, que envolve um extenso descolamento do tecido subcutâneo para posicionar a tela sobre a aponeurose, aumenta significativamente o espaço morto e compromete a vascularização, elevando o risco de seroma e necrose de pele e subcutâneo, especialmente em pacientes com comorbidades como diabetes.

Contexto Educacional

A correção de hérnias incisionais é um procedimento comum na cirurgia geral, frequentemente utilizando telas para reforço da parede abdominal. A escolha da técnica (onlay, sublay, retromuscular, intraperitoneal) depende de diversos fatores, incluindo o tamanho da hérnia, a qualidade dos tecidos e a experiência do cirurgião. A técnica onlay, que posiciona a tela sobre a aponeurose, é uma das abordagens, mas não está isenta de complicações. A técnica onlay, embora relativamente simples, envolve um descolamento significativo do tecido subcutâneo da aponeurose para criar um leito para a tela. Esse descolamento extenso cria um grande espaço morto e pode comprometer a vascularização da pele e do tecido subcutâneo suprajacente. Consequentemente, a necrose de pele e subcutâneo, juntamente com a formação de seroma, são complicações relativamente frequentes, especialmente em pacientes com fatores de risco como diabetes, obesidade e tabagismo. O manejo dessas complicações inclui a prevenção, com hemostasia rigorosa e uso de drenos para o seroma, e o tratamento conservador ou cirúrgico para a necrose, dependendo da sua extensão. Embora a infecção da tela seja uma complicação grave, a necrose de pele e subcutâneo é mais frequentemente observada devido à natureza do descolamento tecidual inerente à técnica onlay, exigindo atenção cuidadosa no pós-operatório.

Perguntas Frequentes

Por que a técnica onlay aumenta o risco de necrose de pele e subcutâneo?

A técnica onlay requer um extenso descolamento do tecido subcutâneo da aponeurose para posicionar a tela, o que compromete a vascularização da pele e do tecido adiposo, predispondo à isquemia e necrose.

Quais são os fatores de risco para complicações em hernioplastias incisionais?

Fatores de risco incluem obesidade, diabetes, tabagismo, imunossupressão, tamanho da hérnia, cirurgias prévias, e a técnica cirúrgica empregada, como o extenso descolamento na técnica onlay.

Além da necrose de pele, qual outra complicação é comum na técnica onlay?

O seroma é outra complicação muito comum na técnica onlay devido ao grande espaço morto criado pelo descolamento, que favorece o acúmulo de fluidos, sendo frequentemente manejado com drenos.

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