SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2021
As complicações mecânicas são definidas como as que ocorrem como resultado direto de uma falha técnica de um procedimento ou cirurgia. Elas incluem hematoma pós operatório, hemoperitônio, seroma, deiscência da ferida operatória, fístulas e complicações relacionadas a acessos, drenos e retenção de corpos estranhos. Em relação as complicações mecânicas podemos afirmar que:
Suturas de polipropileno (não absorvíveis) são mais resistentes em feridas infectadas que as de ácido poliglicólico (absorvíveis).
Em feridas operatórias infectadas, a escolha do material de sutura é crucial. Fios não absorvíveis, como o polipropileno, são mais resistentes à degradação enzimática e inflamatória do que os fios absorvíveis (como o ácido poliglicólico), o que confere maior segurança e menor risco de deiscência em um ambiente contaminado.
As complicações mecânicas pós-operatórias representam um desafio significativo na prática cirúrgica, impactando a recuperação do paciente e os custos de saúde. Elas abrangem desde coleções líquidas como seromas e hematomas até falhas na cicatrização, como deiscências e fístulas. A compreensão de sua fisiopatologia e manejo é crucial para residentes. Um seroma, por exemplo, é uma coleção de líquido seroso que ocorre frequentemente após dissecções extensas e elevação de retalhos, e seu tratamento geralmente envolve drenagem percutânea e compressão, não necessariamente internação e antibióticos venosos. A deiscência da ferida operatória, que é a separação das bordas da incisão, é uma complicação grave. Seus fatores predisponentes são multifatoriais, incluindo aumento da pressão intra-abdominal, má técnica de sutura, infecção e condições sistêmicas do paciente. A "crista de cicatrização", um espessamento palpável ao redor da incisão que aparece por volta da primeira semana, é na verdade um sinal de boa cicatrização, indicando a formação de colágeno e ganho de força tênsil, e sua ausência pode ser um sinal de alerta para deiscência iminente, e não o contrário. A escolha do material de sutura é vital, especialmente em feridas contaminadas ou infectadas. Fios não absorvíveis, como o polipropileno, são monofilamentares e mantêm sua força tênsil por tempo indeterminado, sendo mais resistentes à degradação em ambientes sépticos. Em contraste, fios absorvíveis, como o ácido poliglicólico (PGA), perdem sua força tênsil ao longo do tempo devido à hidrólise e são mais suscetíveis à degradação em feridas infectadas, aumentando o risco de falha da sutura. Portanto, o uso de polipropileno em feridas infectadas é uma prática cirúrgica sólida para garantir a integridade da reparação.
O seroma é uma coleção de líquido seroso (linfa e plasma) na ferida, sem pus ou sangue, enquanto o hematoma é uma coleção de sangue. Ambos podem causar inchaço e dor, mas o hematoma geralmente é mais firme e equimótico.
Fatores de risco incluem aumento da pressão intra-abdominal (tosse, vômito, distensão), má nutrição, obesidade, infecção da ferida, técnica cirúrgica inadequada, uso de corticosteroides e doenças que comprometem a cicatrização.
O polipropileno é um fio monofilamentar e não absorvível, o que o torna menos propenso à capilaridade (transporte de bactérias) e à degradação enzimática em um ambiente infectado, mantendo a força tênsil por mais tempo. O ácido poliglicólico é absorvível e multifilamentar, o que aumenta o risco de infecção e perda de força em feridas contaminadas.
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