Complicações Pós-Operatórias: Escolha de Suturas em Feridas Infectadas

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2021

Enunciado

As complicações mecânicas são definidas como as que ocorrem como resultado direto de uma falha técnica de um procedimento ou cirurgia. Elas incluem hematoma pós operatório, hemoperitônio, seroma, deiscência da ferida operatória, fístulas e complicações relacionadas a acessos, drenos e retenção de corpos estranhos. Em relação as complicações mecânicas podemos afirmar que:

Alternativas

  1. A) Um seroma é uma coleção líquida na ferida operatória que não seja pus ou sangue. Muitas vezes, os seromas acompanham cirurgias que envolvem elevação de retalhos de pele e transecção de vários canais linfáticos. O tratamento do seroma consiste em internação hospitalar, antibióticoterapia venosa e exploração da ferida operatória.
  2. B) Os três fatores predisponentes locais mais importantes para deiscência da ferida operatória são uso de drenos na cavidade abdominal, aumento da pressão intra abdominal e sutura contínua da aponeurose com fio absorvível. Muitas vezes, a deiscência resulta de uma combinação desses fatores, em vez de um único fator isolado. 
  3. C) Nas feridas operatórias infectadas, as suturas de polipropileno são mais resistentes à degradação do que as suturas de ácido poliglicólico e apresentam menores índices de ruptura da ferida.
  4. D) A ''crista de cicatrização'' (espessamento palpável que se estende cerca de 1,0 a 2,5 cm em cada lado da incisão) aparece próximo ao fim da primeira semana após a cirurgia.A presença dessa crista é a evidência clínica de que a cicatrização é inadequada e está invariavelmente presente nas feridas operatórias que se rompem.
  5. E) As suturas devem ser colocadas 2 a 3 cm a partir da borda da ferida e a cerca de 1 cm de distância entre elas. A deiscência da aponeurose é o resultado do uso de chuleio interrompido com fio absorvível.

Pérola Clínica

Suturas de polipropileno (não absorvíveis) são mais resistentes em feridas infectadas que as de ácido poliglicólico (absorvíveis).

Resumo-Chave

Em feridas operatórias infectadas, a escolha do material de sutura é crucial. Fios não absorvíveis, como o polipropileno, são mais resistentes à degradação enzimática e inflamatória do que os fios absorvíveis (como o ácido poliglicólico), o que confere maior segurança e menor risco de deiscência em um ambiente contaminado.

Contexto Educacional

As complicações mecânicas pós-operatórias representam um desafio significativo na prática cirúrgica, impactando a recuperação do paciente e os custos de saúde. Elas abrangem desde coleções líquidas como seromas e hematomas até falhas na cicatrização, como deiscências e fístulas. A compreensão de sua fisiopatologia e manejo é crucial para residentes. Um seroma, por exemplo, é uma coleção de líquido seroso que ocorre frequentemente após dissecções extensas e elevação de retalhos, e seu tratamento geralmente envolve drenagem percutânea e compressão, não necessariamente internação e antibióticos venosos. A deiscência da ferida operatória, que é a separação das bordas da incisão, é uma complicação grave. Seus fatores predisponentes são multifatoriais, incluindo aumento da pressão intra-abdominal, má técnica de sutura, infecção e condições sistêmicas do paciente. A "crista de cicatrização", um espessamento palpável ao redor da incisão que aparece por volta da primeira semana, é na verdade um sinal de boa cicatrização, indicando a formação de colágeno e ganho de força tênsil, e sua ausência pode ser um sinal de alerta para deiscência iminente, e não o contrário. A escolha do material de sutura é vital, especialmente em feridas contaminadas ou infectadas. Fios não absorvíveis, como o polipropileno, são monofilamentares e mantêm sua força tênsil por tempo indeterminado, sendo mais resistentes à degradação em ambientes sépticos. Em contraste, fios absorvíveis, como o ácido poliglicólico (PGA), perdem sua força tênsil ao longo do tempo devido à hidrólise e são mais suscetíveis à degradação em feridas infectadas, aumentando o risco de falha da sutura. Portanto, o uso de polipropileno em feridas infectadas é uma prática cirúrgica sólida para garantir a integridade da reparação.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre seroma e hematoma em uma ferida operatória?

O seroma é uma coleção de líquido seroso (linfa e plasma) na ferida, sem pus ou sangue, enquanto o hematoma é uma coleção de sangue. Ambos podem causar inchaço e dor, mas o hematoma geralmente é mais firme e equimótico.

Quais são os principais fatores de risco para deiscência de ferida operatória?

Fatores de risco incluem aumento da pressão intra-abdominal (tosse, vômito, distensão), má nutrição, obesidade, infecção da ferida, técnica cirúrgica inadequada, uso de corticosteroides e doenças que comprometem a cicatrização.

Por que o polipropileno é preferível em feridas infectadas em comparação com o ácido poliglicólico?

O polipropileno é um fio monofilamentar e não absorvível, o que o torna menos propenso à capilaridade (transporte de bactérias) e à degradação enzimática em um ambiente infectado, mantendo a força tênsil por mais tempo. O ácido poliglicólico é absorvível e multifilamentar, o que aumenta o risco de infecção e perda de força em feridas contaminadas.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo