Complicações de Ferida Operatória: Seroma, Infecção e Classificação

HPM - Hospital da Polícia Militar de Minas Gerais — Prova 2020

Enunciado

As complicações cirúrgicas são inerentes ao tratamento operatório dos pacientes, podendo ocorrer a despeito da habilidade técnica do cirurgião. Entretanto, o risco de complicações diminui muito com uma avaliação pré-operatória criteriosa e respeito à técnica cirúrgica adequada. Com relação às complicações relacionadas à ferida operatória, leia as afirmativas abaixo: I - Um seroma que reacumula após pelo menos duas aspirações deve ser evacuado pela abertura da incisão e limpeza da ferida com solução salina para permitir cicatrização por segunda intenção. II - Nos casos de evisceração, os dispositivos de fechamento assistido a vácuo aceleram a cicatrização e reduzem a carga bacteriana, além de melhorar a preparação do leito de ferida; esta abordagem resulta no fechamento bem-sucedido da aponeurose em aproximadamente um terço dos pacientes. III- As infecções de sítio cirúrgico possuem como principal fonte de micro-organismos a contaminação dos materiais ou da equipe cirúrgica, devido a falhas na técnica asséptica. IV - São fatores de risco para infecção de ferida operatória: ascite, hipercolesterolemia, ventilação inadequada do paciente, obesidade, anemia pós operatória e hospitalização pré-operatória. V- As cirurgias envolvendo o trato biliar, apêndice, vagina, orofaringe e esôfago são classificadas como potencialmente contaminadas, desde que não haja evidência de infecção ou falha grave na técnica asséptica. Estão CORRETAS as assertivas:

Alternativas

  1. A) I, IV e V, apenas.
  2. B) I, II e V, apenas.
  3. C) II, III e IV, apenas.
  4. D) Todas estão corretas.

Pérola Clínica

Seroma persistente → drenagem; Cirurgias biliar/apêndice/vagina = potencialmente contaminadas.

Resumo-Chave

O manejo de seromas persistentes pode incluir drenagem ou abertura da ferida. A classificação das feridas cirúrgicas (limpa, limpa-contaminada, contaminada, infectada) é crucial para a profilaxia e manejo de infecções, sendo cirurgias que envolvem vísceras ocas classificadas como potencialmente contaminadas.

Contexto Educacional

As complicações da ferida operatória são uma preocupação constante na prática cirúrgica, impactando a recuperação do paciente e os custos de saúde. Compreender sua etiologia, prevenção e manejo é fundamental para qualquer residente. Essas complicações variam desde seromas e hematomas até infecções de sítio cirúrgico e deiscências. A fisiopatologia das complicações envolve múltiplos fatores, incluindo técnica cirúrgica, condições do paciente e tipo de cirurgia. Seromas resultam do acúmulo de líquido seroso em um espaço morto. As infecções de sítio cirúrgico (ISC) são causadas por microrganismos, sendo a flora endógena do paciente a fonte mais comum, embora a contaminação exógena também seja possível. A classificação das feridas cirúrgicas (limpa, limpa-contaminada, contaminada, infectada) orienta a profilaxia antibiótica e o risco de ISC. O tratamento varia: seromas podem ser aspirados ou drenados; eviscerações exigem reparo cirúrgico. A prevenção de ISC é multifacetada, incluindo profilaxia antibiótica adequada, controle glicêmico, normotermia, oxigenação e técnica asséptica rigorosa. O prognóstico das complicações da ferida operatória depende da sua gravidade e do manejo oportuno e eficaz.

Perguntas Frequentes

Como deve ser manejado um seroma que reacumula após múltiplas aspirações?

Um seroma persistente que reacumula após duas ou mais aspirações pode ser manejado pela abertura da incisão e limpeza da ferida com solução salina, permitindo a cicatrização por segunda intenção. Isso evita a formação de um espaço morto crônico.

Quais são os principais fatores de risco para infecção de sítio cirúrgico?

Fatores de risco incluem obesidade, diabetes mellitus, desnutrição, tabagismo, imunossupressão, tempo cirúrgico prolongado, hipovolemia, hipotermia, hipoxemia, ascite e hospitalização pré-operatória prolongada. A hipercolesterolemia não é um fator de risco direto primário.

Como são classificadas as cirurgias que envolvem o trato biliar ou o apêndice em relação à contaminação?

Cirurgias que envolvem o trato biliar, apêndice, vagina, orofaringe e esôfago são classificadas como potencialmente contaminadas (ou limpas-contaminadas), desde que não haja evidência de infecção pré-existente ou falha grave na técnica asséptica.

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