Hérnia de Íris na Facoemulsificação: Causas e Prevenção

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2009

Enunciado

Na realização da facoemulsificação, uma incisão no limbo de 2,75 mm de largura com túnel curto favorece principalmente qual das seguintes complicações?

Alternativas

  1. A) Queimadura da incisão
  2. B) Hérnia de íris
  3. C) Hidratação peroperatória da córnea
  4. D) Descolamento da membrana de Descemet

Pérola Clínica

Incisão curta ou muito posterior na facoemulsificação → ↑ Risco de Hérnia de Íris.

Resumo-Chave

Uma arquitetura de incisão inadequada facilita o prolapso da íris devido ao gradiente de pressão entre a câmara anterior e o meio externo durante a cirurgia.

Contexto Educacional

A construção da incisão é um dos passos mais críticos da facoemulsificação moderna. Uma incisão de 2,75 mm deve ser auto-selante e ter uma arquitetura triplanar para evitar complicações. Além da hérnia de íris, incisões mal posicionadas podem induzir astigmatismo cirúrgico significativo ou permitir o influxo de fluido para o estroma corneano, causando edema localizado. O domínio da técnica de tunelização é essencial para a segurança do procedimento.

Perguntas Frequentes

Por que uma incisão curta favorece a hérnia de íris?

Uma incisão curta ou com túnel pouco profundo não cria um efeito de válvula eficiente. Durante a facoemulsificação, a pressão na câmara anterior é mantida elevada pela irrigação. Se a incisão for curta ou muito posterior (limbar), o gradiente de pressão empurra a íris em direção à abertura da incisão. Uma incisão bem construída, com túnel longo e entrada corneana, ajuda a manter a íris em sua posição anatômica.

Como manejar o prolapso de íris durante a cirurgia?

O primeiro passo é reduzir a pressão da irrigação e a infusão. A íris deve ser reposicionada gentilmente com uma espátula ou viscoelástico. Se o prolapso for recorrente, pode ser necessário suturar a incisão e realizar uma nova abertura em local diferente, ou utilizar dispositivos de expansão pupilar/anéis de tensão se houver síndrome da íris frouxa (IFIS) associada.

Quais as consequências de uma hérnia de íris não corrigida?

A permanência da íris na incisão pode causar trauma tecidual, atrofia setorial da íris, corectopia (pupila irregular), inflamação crônica (uveíte), aumento da pressão intraocular e edema macular cistoide. Além disso, aumenta significativamente o risco de endoftalmite pós-operatória, pois a íris atua como um 'pavio' para microrganismos da superfície ocular.

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