Pós-Operatório de Whipple: Manejo de Fístula e Sepse Abdominal

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2022

Enunciado

Um homem submetido a duodenopancreatectomia por neoplasia de pâncreas encontra-se no 6º pós-operatório e está com dieta oral líquida 50 ml a cada 3h, associada à nutrição enteral 1500ml/d. O paciente refere dor abdominal. Ao examinar o paciente, o médico percebe dor abdominal difusa e eliminação de secreção esverdeada em ferida operatória. Diante do quadro, qual deve ser a conduta médica?

Alternativas

  1. A) Solicitar tomografia para avaliar a necessidade de drenagem de coleções.
  2. B) Abrir protocolo sepse e indicar laparotomia exploradora de urgência.
  3. C) Alimentar o paciente por sonda nasoenteral com dieta oligomérica.
  4. D) Suspender a dieta, iniciar NPT e antibióticos e reavaliar após 24h.

Pérola Clínica

Dor abdominal difusa + secreção esverdeada pós-duodenopancreatectomia → suspeita de fístula/sepse → laparotomia de urgência.

Resumo-Chave

Um paciente no 6º pós-operatório de duodenopancreatectomia com dor abdominal difusa e secreção esverdeada na ferida operatória apresenta sinais claros de complicação grave, como fístula anastomótica e sepse abdominal. A conduta prioritária é a intervenção cirúrgica de urgência para controle do foco infeccioso.

Contexto Educacional

A duodenopancreatectomia, ou cirurgia de Whipple, é um procedimento complexo e de alta morbimortalidade, frequentemente realizado para neoplasias de pâncreas. O pós-operatório é delicado e exige vigilância constante para identificar e manejar complicações graves, que podem incluir fístulas pancreáticas, biliares ou entéricas, sangramentos e infecções. No cenário clínico apresentado, a dor abdominal difusa e a eliminação de secreção esverdeada pela ferida operatória no 6º pós-operatório são sinais alarmantes de uma complicação séria, provavelmente uma fístula anastomótica com extravasamento de conteúdo gastrointestinal ou biliar para a cavidade abdominal, levando a peritonite e sepse. A dor difusa sugere irritação peritoneal generalizada, e a secreção esverdeada é um forte indicativo de fístula. Diante de um quadro de sepse abdominal em um paciente pós-operatório de grande porte, a conduta médica deve ser imediata e agressiva. A prioridade é o controle do foco infeccioso. Embora exames de imagem como a tomografia possam ser úteis para localizar coleções, a instabilidade clínica e os sinais de peritonite exigem uma laparotomia exploradora de urgência. Esta permite a identificação da fístula, lavagem da cavidade abdominal, drenagem e, se possível, reparo da anastomose, sendo a medida mais eficaz para salvar a vida do paciente. O manejo inclui também suporte hemodinâmico, antibioticoterapia de amplo espectro e suspensão da dieta oral/enteral, com início de nutrição parenteral total (NPT) se necessário.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para complicações graves após duodenopancreatectomia?

Sinais de alerta incluem dor abdominal intensa e difusa, febre, taquicardia, hipotensão, leucocitose, e drenagem de secreção anormal (esverdeada, biliosa, purulenta) pela ferida operatória ou drenos.

Qual a principal complicação que causa secreção esverdeada na ferida operatória após duodenopancreatectomia?

A secreção esverdeada geralmente indica uma fístula biliar ou entérica (anastomótica), onde o conteúdo do trato gastrointestinal ou biliar extravasa para a cavidade abdominal e drena pela ferida.

Por que a laparotomia exploradora é a conduta inicial em casos de sepse abdominal pós-Whipple?

A laparotomia exploradora é essencial para identificar e controlar a fonte da infecção (por exemplo, fístula, abscesso), realizar lavagem da cavidade e drenagem, sendo a medida mais eficaz para reverter o quadro séptico e prevenir falência de múltiplos órgãos.

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