SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2024
Mulher de 54 anos hipertensa e diabética, em uso habitual de suas medicações, é submetida a drenagem percutânea de abscesso hepático em segmento VIII, um dreno do tipo "pig tail" é deixado. A drenagem foi eficaz e inicialmente correspondeu a 360ml de aspecto achocolatado. Dois dias depois do procedimento, a paciente refere fezes pretas e mal cheirosas, cerca de 5 episódios, drenagem sanguinolenta pelo dreno e vômitos com sangue. Ao exame está pálida, tendo sido iniciado reposição volêmica e de hemoderivados. Sua hemoglobina estava 7,5g/dl antes da transfusão. Coagulograma normal. Apesar das medidas, o aspecto da fezes e do dreno continua inalterado. Qual medida deve ser submetida essa paciente nesse momento?
Sangramento GI + dreno pós-drenagem abscesso hepático → suspeitar lesão vascular, indicar embolização arterial.
A hemorragia digestiva alta e sangramento pelo dreno após drenagem de abscesso hepático sugerem uma complicação vascular, como pseudoaneurisma ou fístula bilio-vascular, que requer intervenção urgente, sendo a embolização arterial o tratamento de escolha.
A drenagem percutânea de abscesso hepático é um procedimento comum e eficaz, mas não isento de complicações. A hemorragia é uma complicação grave, especialmente quando se manifesta como sangramento digestivo alto e pelo dreno, indicando uma possível lesão vascular. A epidemiologia dessas complicações não é desprezível, e o reconhecimento precoce é crucial para a sobrevida do paciente. A fisiopatologia do sangramento pode envolver a formação de um pseudoaneurisma arterial hepático ou uma fístula bilio-vascular, onde a ponta do dreno ou a agulha de punção lesiona um vaso adjacente. O diagnóstico é clínico (melena, hematêmese, sangramento pelo dreno, anemia, instabilidade) e confirmado por exames de imagem, como angiotomografia ou arteriografia, que localizam o ponto de sangramento. A suspeita deve ser alta em pacientes com sangramento persistente após o procedimento. O tratamento de escolha para sangramentos arteriais hepáticos pós-drenagem é a embolização arterial por cateterismo. Este procedimento permite oclusão seletiva do vaso afetado, controlando a hemorragia com alta taxa de sucesso e menor morbidade que a cirurgia aberta. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e intervenção, e os pontos de atenção incluem a monitorização rigorosa de pacientes pós-drenagem e a pronta investigação de qualquer sinal de sangramento.
As principais causas incluem lesão vascular direta durante o procedimento, formação de pseudoaneurisma ou fístula bilio-vascular, que podem ser exacerbadas pela presença do dreno.
A embolização arterial é o tratamento de escolha porque permite identificar e ocluir seletivamente o vaso sangrante, controlando a hemorragia de forma minimamente invasiva e preservando o parênquima hepático.
Sinais de alerta incluem sangramento pelo dreno, hemorragia digestiva (hematêmese, melena), queda da hemoglobina, instabilidade hemodinâmica e dor abdominal súbita.
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