FBHC - Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (SE) — Prova 2021
Paciente sexo masculino de 45 anos é submetido a uma colonoscopia na qual é encontrado e removido com alça diatérmica um pólipo semipediculado de cerca de 0,6 cm de diâmetro no colo ascendente. Terminado o exame o paciente se queixa de dor abdominal crescente que não melhora após a segunda hora de observação. A conduta neste caso deve ser:
Dor abdominal crescente pós-polipectomia → suspeitar perfuração/sangramento → rotina radiológica abdome agudo.
Dor abdominal progressiva após polipectomia endoscópica, mesmo que de um pólipo pequeno, exige investigação imediata para complicações graves como perfuração intestinal ou sangramento. A rotina radiológica de abdome agudo é o exame inicial para detectar pneumoperitônio.
A colonoscopia é um procedimento diagnóstico e terapêutico amplamente utilizado para rastreamento e remoção de pólipos colônicos. Embora geralmente segura, complicações podem ocorrer, sendo as mais comuns o sangramento e a perfuração intestinal. A incidência de perfuração é baixa, variando de 0,03% a 0,8%, mas é uma complicação grave que exige reconhecimento e manejo rápidos. O risco aumenta com o tamanho do pólipo, localização (cólon direito) e técnicas de ressecção mais complexas. A dor abdominal crescente e persistente após uma colonoscopia, especialmente após polipectomia, deve levantar a suspeita de uma complicação. A fisiopatologia da perfuração geralmente envolve lesão térmica ou mecânica da parede intestinal. O diagnóstico inicial é feito pela avaliação clínica e exames de imagem. A rotina radiológica de abdome agudo (radiografia de tórax em PA e perfil, e abdome em AP e ortostase) é o primeiro passo para identificar pneumoperitônio, que indica perfuração. Em casos duvidosos, a tomografia computadorizada de abdome e pelve com contraste oral e/ou venoso é mais sensível. A conduta depende da gravidade da complicação. Pequenas perfurações sem sinais de peritonite podem ser manejadas conservadoramente com repouso intestinal, antibióticos de amplo espectro e observação rigorosa. No entanto, perfurações maiores, pneumoperitônio significativo ou sinais de peritonite generalizada geralmente requerem intervenção cirúrgica imediata (laparotomia ou laparoscopia) para reparo da perfuração e lavagem da cavidade abdominal. O reconhecimento precoce e a intervenção apropriada são cruciais para um bom prognóstico.
Sinais de alerta incluem dor abdominal crescente e persistente, febre, sangramento retal volumoso, distensão abdominal e sinais de peritonite. A dor que não melhora com analgésicos ou piora progressivamente é particularmente preocupante.
A rotina radiológica de abdome agudo, que inclui radiografias de tórax e abdome, é crucial para detectar pneumoperitônio (ar livre na cavidade abdominal), um sinal direto de perfuração intestinal. É um exame rápido e amplamente disponível.
As principais complicações da polipectomia endoscópica são sangramento e perfuração intestinal. Outras complicações menos comuns incluem síndrome pós-polipectomia (dor e febre sem perfuração) e infecção.
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