Complicações da Colecistectomia: Icterícia Pós-Operatória

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2019

Enunciado

Paciente feminina, 47 anos de idade, está no 7 0 pós-operatório de colecistectomia laparoscópica sem colangiografia, devido a colecistite aguda. Recebeu alta no 2 dia de pós-operatório sem queixas. Retornou ao hospital terciário hoje, ictérica, queixando-se de vômitos e 0 dor no hipocôndrio direito.Ao exame clínico: Bom estado geral, desidratada, ictérica 2+/4+, afebril Ausculta pulmonar e cardíaca sem alterações Abdome: flácido, pouco doloroso a palpação profunda no hipocôndrio direito, sem irritação peritoneal.Exames laboratoriais: Foi realizado o exame de colangiorressonância (figura abaixo). Cite 4 complicações do tratamento:

Alternativas

Pérola Clínica

Icterícia + dor HD pós-colecistectomia → suspeitar lesão/fístula de via biliar, estenose ou cálculo residual.

Resumo-Chave

A icterícia e dor no hipocôndrio direito no pós-operatório tardio de colecistectomia laparoscópica são sinais de alerta para complicações biliares graves, como lesão de via biliar, fístula biliar, estenose ou cálculo residual. A colangiorressonância é fundamental para o diagnóstico.

Contexto Educacional

A colecistectomia laparoscópica é um dos procedimentos cirúrgicos mais realizados, sendo o tratamento padrão-ouro para colecistite aguda e colelitíase sintomática. Embora seja um procedimento seguro, não está isento de complicações, que podem variar de leves a graves e exigir reintervenção. O reconhecimento precoce e o manejo adequado dessas complicações são cruciais para o prognóstico do paciente. As complicações mais relevantes incluem lesões da via biliar, fístulas biliares, sangramento, infecção da ferida operatória, lesão de órgãos adjacentes (intestino, duodeno) e a síndrome pós-colecistectomia. A lesão da via biliar é uma das mais temidas, podendo levar a estenoses, colangite e cirrose biliar secundária, manifestando-se frequentemente com icterícia, dor abdominal e febre no pós-operatório. A icterícia e a dor no hipocôndrio direito no pós-operatório de colecistectomia, como no caso apresentado, são sinais de alerta para uma possível complicação biliar. A investigação deve ser imediata, incluindo exames laboratoriais e de imagem, com destaque para a colangiorressonância (CPRM) ou colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE), que são essenciais para o diagnóstico e, em alguns casos, para o tratamento. O manejo dependerá da natureza e extensão da complicação, podendo envolver drenagem, reparo cirúrgico ou procedimentos endoscópicos.

Perguntas Frequentes

Quais são as complicações mais comuns da colecistectomia laparoscópica?

As complicações mais comuns incluem lesão de via biliar, fístula biliar, sangramento, infecção da ferida operatória, lesão intestinal e síndrome pós-colecistectomia.

Como investigar icterícia no pós-operatório de colecistectomia?

A investigação deve incluir exames laboratoriais (bilirrubinas, enzimas hepáticas) e exames de imagem como ultrassonografia abdominal e, principalmente, colangiorressonância (CPRM) para avaliar a via biliar.

Qual a importância da colangiografia intraoperatória na colecistectomia?

A colangiografia intraoperatória pode ajudar a identificar variações anatômicas e detectar cálculos na via biliar principal, potencialmente reduzindo o risco de lesões iatrogênicas e cálculos residuais.

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