CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2012
Paciente com 55 anos de idade submetida a blefaroplastia inferior bilateral via cutânea, evoluiu com retração e exposição escleral inferior de uma das pálpebras. Qual dos mecanismos abaixo pode explicar esta complicação?
Retração pós-blefaroplastia inferior = Cicatriz/encurtamento do septo orbitário (lamela média).
A manipulação excessiva ou cauterização do septo orbitário gera fibrose e retração da lamela média, resultando em tração inferior da pálpebra e exposição escleral indesejada.
A blefaroplastia inferior é uma cirurgia refinada que exige conhecimento profundo da anatomia lamelar. A pálpebra é dividida em lamela anterior (pele e orbicular), média (septo orbitário) e posterior (retratores e conjuntiva). A complicação de retração palpebral é multifatorial, mas a fibrose da lamela média é uma causa técnica evitável. Quando o cirurgião acessa as bolsas de gordura via cutânea, ele atravessa o septo. Se houver inflamação excessiva ou hematoma nessa região, a cicatriz resultante atua como uma âncora, impedindo o posicionamento adequado da pálpebra contra a gravidade. Este conhecimento é essencial para residentes de oftalmologia e cirurgia plástica.
O septo orbitário é uma estrutura fibrosa que separa as pálpebras do conteúdo orbitário. Durante a blefaroplastia, se o septo for aberto, manipulado excessivamente ou sofrer cauterização intensa, o processo de cicatrização pode causar seu encurtamento vertical. Como o septo está ancorado na margem orbitária inferior, sua retração puxa a pálpebra para baixo, causando o 'scleral show'.
A retração palpebral é o deslocamento inferior da margem palpebral mantendo o contato com o globo ocular, geralmente por encurtamento da lamela média (septo) ou posterior. O ectrópio é a eversão da margem palpebral para fora do globo, frequentemente causada por excesso de retirada de pele (lamela anterior) ou frouxidão palpebral não corrigida.
A prevenção inclui a preservação da integridade do septo orbitário sempre que possível, evitar cauterização agressiva da gordura periorbitária e realizar manobras de suspensão lateral (cantopexia ou cantoplastia) para reforçar o suporte da pálpebra inferior contra forças de tração cicatricial.
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