Acesso Venoso Central: Prevenção e Manejo de Complicações

CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2024

Enunciado

“Paciente submetido à passagem de acesso venoso central (Cateter Duplo-lúmen- CDL), para reposição volêmica pós choque hemorrágico. Apesar da indicação adequada para o procedimento, houve evolução em poucos minutos para desconforto respiratório progressivo, resultando em drenagem pleural fechada sob selo d`água”. Analisando a descrição do fato relatado, podemos considerar CORRETA a alternativa:

Alternativas

  1. A) Não faz sentido a correlação entre o procedimento e a manifestação clínica respiratória.
  2. B) Em uma das etapas durante a passagem do CDL, por envolver o dilatador, o acidente de punção com lesão pleural é comum, principalmente se o sítio for a veia jugular interna.
  3. C) A drenagem pleural fechada citada, só poderia ser cogitada como medida resolutiva para complicações pós punção especificamente na vigência do pneumotórax hipertensivo.
  4. D) Técnica apurada, punção guiada por imagem, assim como RX de tórax de controle, são as medidas mais efetivas tanto na prevenção de iatrogenias, quanto na identificação precoce delas.

Pérola Clínica

Punção de acesso central → risco de pneumotórax. Prevenção: USG + técnica apurada. Confirmação: RX tórax.

Resumo-Chave

A passagem de acesso venoso central, embora vital, carrega riscos como o pneumotórax, especialmente em sítios como a veia jugular interna ou subclávia. A punção guiada por ultrassonografia e um raio-X de tórax pós-procedimento são cruciais para prevenir e identificar precocemente essa complicação, garantindo a segurança do paciente.

Contexto Educacional

A passagem de acesso venoso central (CVC) é um procedimento comum e vital em diversas situações clínicas, como choque hemorrágico, administração de drogas vasoativas ou nutrição parenteral. No entanto, é um procedimento invasivo que não está isento de riscos, sendo o pneumotórax iatrogênico uma das complicações mais temidas, com incidência variável dependendo do sítio de punção e da experiência do operador. A compreensão dessas complicações é fundamental para a segurança do paciente e para a prática médica. O pneumotórax ocorre quando há lesão da pleura parietal ou visceral durante a punção, permitindo a entrada de ar no espaço pleural. Clinicamente, manifesta-se por desconforto respiratório, dor torácica e taquipneia, podendo evoluir para pneumotórax hipertensivo, uma emergência médica. A punção da veia jugular interna e, principalmente, da veia subclávia, são os sítios com maior risco de lesão pleural. O diagnóstico é confirmado por radiografia de tórax, que deve ser realizada rotineiramente após o procedimento. A prevenção de iatrogenias é primordial. A técnica apurada, o uso de ultrassonografia para guiar a punção e a realização de um raio-X de tórax de controle pós-procedimento são as medidas mais eficazes para minimizar os riscos e identificar precocemente as complicações. O tratamento do pneumotórax, quando sintomático ou de grande volume, geralmente envolve a drenagem pleural fechada sob selo d'água, um procedimento que visa remover o ar do espaço pleural e permitir a reexpansão pulmonar.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de pneumotórax após passagem de acesso venoso central?

Os sinais incluem desconforto respiratório progressivo, dor torácica, taquipneia, taquicardia e, em casos graves, hipotensão e desvio de traqueia. A ausculta pode revelar murmúrio vesicular diminuído no lado afetado.

Qual a importância da ultrassonografia na punção de acesso venoso central?

A ultrassonografia permite visualizar a veia-alvo, artérias adjacentes e estruturas pleurais, diminuindo significativamente o risco de punções acidentais, como a arterial ou pleural, aumentando a segurança e a taxa de sucesso do procedimento.

Quando o raio-X de tórax é indicado após a passagem de um cateter venoso central?

O raio-X de tórax é indicado rotineiramente após a passagem de qualquer cateter venoso central para confirmar o posicionamento correto da ponta do cateter e, crucialmente, para descartar complicações como pneumotórax ou hemotórax, mesmo na ausência de sintomas.

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