UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2018
Homem, 70 anos de idade, vítima de atropelamento por moto em via de média velocidade, há 30min. A: via aérea pérvia, em uso de prancha rígida e colar cervical. B: murmúrio vesicular presente bilateral, SpO² = 88%; FR = 22 irpm/min; forte dor e escoriações em gradil costal à esquerda. C: sem sangramento externo ativo, PA = 160 X 90 mmHg; FC = 95 bpm/min; TEC = 2s; abdome doloroso em flanco esquerdo, pelve estável. D: Glasgow 12, pupilas sem alterações, sem deficit neurológico focal, E: dorso e extremidades com pequenas escoriações. Colocada máscara de oxigênio, com melhora da saturação para SpO² = 90%. Realizada ultrassonografia à beira do leito (eFAST), que evidenciou: 1 cm de líquido livre em espaço hepatorrenal; “sinal da praia” presente e linhas B ausentes em hemitórax esquerdo. Antecedentes pessoais: fibrilação atrial em uso de varfarina. Qual, das opções abaixo, é a primeira escolha para reversão do efeito anticoagulante cumarínico da varfarina?
Reversão imediata de Varfarina no trauma grave = Complexo Protrombínico (PCC).
Em pacientes anticoagulados com varfarina e sangramento grave ou necessidade de cirurgia de emergência, o Complexo Protrombínico é superior ao Plasma Fresco Congelado pela rapidez e menor volume.
O manejo de pacientes anticoagulados no trauma é um desafio crítico. A varfarina inibe a síntese de fatores dependentes de vitamina K (II, VII, IX, X). Em situações de emergência com risco de vida, como o hemoperitoneum sugerido pelo eFAST positivo no cenário de trauma, a reposição imediata desses fatores é mandatória. O Complexo Protrombínico (PCC) contém esses fatores de forma concentrada, permitindo a normalização do INR em minutos, sendo a conduta padrão-ouro recomendada pelo ATLS e diretrizes internacionais de hematologia.
O Complexo Protrombínico (PCC) promove uma reversão do INR muito mais rápida (minutos vs. horas), utiliza um volume significativamente menor (evitando sobrecarga volêmica) e não requer compatibilidade sanguínea, sendo ideal para cenários de emergência como o trauma.
A Vitamina K é essencial para a síntese sustentada de novos fatores de coagulação pelo fígado. No entanto, seu efeito demora de 6 a 24 horas. No trauma com sangramento ativo, ela deve ser administrada junto com o PCC para garantir que o INR permaneça corrigido após o efeito do concentrado passar.
O eFAST evidenciando líquido livre no espaço hepatorrenal em um paciente vítima de trauma sugere hemoperitoneum. Em um paciente anticoagulado, isso representa uma emergência hemorrágica que exige reversão imediata da coagulopatia para controle do sangramento e possível intervenção cirúrgica.
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