HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2022
Um paciente de 45 anos de idade compareceu à consulta com queixa de disfagia. Refere que apresenta disfagia para alimentos sólidos, de início há sete meses, e de caráter progressivo, atualmente com dificuldade de ingestão de líquidos. O esofagograma baritado é normal e não apresenta megaesôfago. A manometria esofágica apresenta aperistalse no corpo esofágico e hipertonia do esfíncter esofágico inferior. Nesse caso clínico, o diagnóstico mais provável é
Disfagia progressiva (sólidos > líquidos) + manometria com aperistalse e hipertonia do EEI → Acalasia.
A acalasia é um distúrbio motor esofágico caracterizado pela ausência de peristalse no corpo esofágico e relaxamento incompleto ou ausente do esfíncter esofágico inferior (EEI), frequentemente com hipertonia. A disfagia progressiva para sólidos e líquidos é um sintoma clássico, e a manometria esofágica de alta resolução é o padrão-ouro para o diagnóstico.
A acalasia é um distúrbio motor primário do esôfago caracterizado pela perda de neurônios inibitórios no plexo mioentérico, resultando em aperistalse do corpo esofágico e falha no relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI) durante a deglutição. Essa condição leva a uma obstrução funcional do esôfago, com retenção de alimentos e líquidos. Embora rara, é a causa mais comum de disfagia esofágica de origem motora e é crucial para residentes reconhecerem seus sinais e sintomas. O quadro clínico típico da acalasia inclui disfagia progressiva, inicialmente para sólidos e, com a evolução da doença, também para líquidos. Regurgitação, dor torácica e perda de peso são sintomas associados. O esofagograma baritado pode mostrar o clássico 'bico de pássaro' ou 'ponta de lápis' no EEI e dilatação esofágica (megaesôfago), mas pode ser normal em fases iniciais. A manometria esofágica de alta resolução é o exame diagnóstico definitivo, evidenciando a aperistalse e a hipertonia/relaxamento incompleto do EEI. O tratamento da acalasia visa aliviar os sintomas e prevenir complicações, como o megaesôfago e o risco de aspiração. As opções incluem dilatação pneumática endoscópica, miotomia de Heller (cirúrgica ou endoscópica - POEM) e, em casos selecionados, injeção de toxina botulínica. A escolha do tratamento depende da gravidade dos sintomas, idade do paciente e experiência do centro. É fundamental o acompanhamento a longo prazo devido ao risco aumentado de carcinoma espinocelular de esôfago.
Os sintomas clássicos da acalasia incluem disfagia progressiva para sólidos e líquidos, regurgitação de alimentos não digeridos, dor torácica (especialmente no início da doença), perda de peso e, ocasionalmente, tosse noturna ou aspiração pulmonar. A disfagia para líquidos é um sinal de progressão da doença.
A manometria esofágica é o exame padrão-ouro para o diagnóstico de acalasia porque avalia a função motora do esôfago e do esfíncter esofágico inferior (EEI). Ela detecta a aperistalse no corpo esofágico e o relaxamento incompleto ou ausente do EEI, que são achados patognomônicos da doença, mesmo quando outros exames são normais.
A acalasia se diferencia do espasmo esofagiano difuso (EED) pela manometria. Na acalasia, há aperistalse e relaxamento incompleto do EEI. No EED, a peristalse é preservada, mas há contrações simultâneas e de alta amplitude em múltiplos segmentos do esôfago, e o relaxamento do EEI é normal. A disfagia no EED é mais intermitente e associada a dor torácica.
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