HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2022
Paciente do sexo masculino, 68 anos de idade, comparece ao ambulatório para acompanhamento de insuficiência cardíaca de etiologia isquêmica. Relata que perdeu seguimento devido à pandemia, e no momento encontra-se com dispneia para pentear o cabelo e escovar os dentes. Além disso, apresenta inchaço nas pernas e despertares noturnos por falta de ar. Nega febre ou sintomas de vias aéreas superiores, sendo que refere vacinação completa para COVID-19. Nega outras comorbidades. Está em uso de ácido acetilsalicílico, atorvastatina e furosemida. Ao exame clínico, apresenta pressão arterial de 110 x 70 mmHg, frequência cardíaca de 72 bpm, frequência respiratória de 16 ipm e saturação periférica de oxigênio de 94% em ar ambiente. Ausculta pulmonar com murmúrio vesicular preservado e estertores finos em bases. Seu ritmo cardíaco é regular e não apresenta sopros à ausculta. Apresenta também estase de veias jugulares a 45°, tempo de enchimento capilar < 3 segundos e edema de membros inferiores (3+/4+). Sem outras alterações. Apresenta ecocardiograma transtorácico que evidenciou fração de ejeção do ventrículo esquerdo de 38% e hipocinesia de parede anterior.Paciente retorna após seis meses de seguimento ambulatorial. Depois de sucessivos ajustes das medicações, houve melhora substancial do quadro, sendo que mantém apenas sensação de fraqueza esporádica no momento. Os sinais vitais não têm alterações, sendo que o exame clínico evidenciou apenas edema de membros inferiores (+/4+). No momento, está em uso de ácido acetilsalicílico, atorvastatina, enalapril, carverdilol, espironolactona e furosemida. Realizado eletrocardiograma, cujo traçado pode ser visto na figura seguir:(Eletrocardiograma do paciente)Qual medicação está associada ao principal achado do eletrocardiograma?
Furosemida (diurético de alça) → hipocalemia → ECG com onda U proeminente e achatamento de onda T.
A furosemida, um diurético de alça, pode causar hipocalemia devido ao aumento da excreção de potássio. A hipocalemia se manifesta no ECG com achatamento da onda T, depressão do segmento ST e, classicamente, a presença de ondas U proeminentes, que são o principal achado associado.
A insuficiência cardíaca é uma síndrome clínica complexa que requer manejo farmacológico multifacetado. Diuréticos, como a furosemida, são pilares no tratamento sintomático, especialmente para alívio da congestão. A furosemida é um diurético de alça potente que atua no ramo ascendente espesso da alça de Henle, inibindo o cotransportador Na-K-2Cl. Essa ação resulta em um aumento significativo da excreção de sódio, potássio, cloro e água. Um dos efeitos adversos mais importantes da furosemida é a hipocalemia, ou seja, a redução dos níveis séricos de potássio. A perda excessiva de potássio pode ter sérias repercussões cardíacas, manifestando-se no eletrocardiograma (ECG). As alterações eletrocardiográficas clássicas da hipocalemia incluem achatamento ou inversão da onda T, depressão do segmento ST e, de forma mais característica, a presença de ondas U proeminentes, que são ondas positivas que seguem a onda T. O reconhecimento dessas alterações no ECG é fundamental para o diagnóstico e manejo da hipocalemia induzida por diuréticos. O tratamento envolve a suplementação de potássio e, se possível, o ajuste da dose do diurético ou a adição de um diurético poupador de potássio, como a espironolactona, que também é utilizada no tratamento da insuficiência cardíaca. A monitorização regular dos eletrólitos é essencial para pacientes em uso crônico de diuréticos de alça.
As alterações eletrocardiográficas da hipocalemia incluem achatamento ou inversão da onda T, depressão do segmento ST e, classicamente, a presença de ondas U proeminentes, que podem ser confundidas com a onda T.
A furosemida atua inibindo o cotransportador Na-K-2Cl na alça de Henle, aumentando a excreção de sódio, potássio e cloro, o que pode resultar em hipocalemia e outras alterações eletrolíticas.
É crucial monitorar o potássio em pacientes em uso de furosemida devido ao risco de hipocalemia, que pode levar a arritmias cardíacas graves e outras complicações, exigindo suplementação ou ajuste da medicação.
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