CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2006
Qual o tratamento para o edema traumático da retina (edema de Berlim)?
Edema de Berlim (Commotio Retinae) → Conduta expectante; a opacificação costuma regredir sem tratamento específico.
O edema de Berlim é uma opacificação retiniana pós-traumática causada por dano aos fotorreceptores; o tratamento é observação, pois a condição é geralmente autolimitada.
O edema de Berlim, ou Commotio Retinae, é uma manifestação comum de trauma ocular contuso. Clinicamente, manifesta-se como uma área de retina opaca e esbranquiçada que surge poucas horas após o insulto. Quando ocorre na mácula, pode apresentar uma 'mancha vermelha cereja' devido ao contraste da fóvea fina com a retina circundante opacificada. Historicamente, acreditava-se que o fluido intersticial causava a opacidade, mas evidências modernas apontam para a disrupção dos fotorreceptores. Não há evidência de que corticoides, anti-inflamatórios ou diuréticos alterem o curso natural da doença. A conduta é expectante, focando na identificação de lesões associadas que exijam tratamento cirúrgico ou laser, como rasgos na retina periférica.
A aparência esbranquiçada ou acinzentada da retina no edema de Berlim, apesar do nome, não é um edema extracelular clássico (acúmulo de fluido). Estudos histopatológicos e de OCT sugerem que a opacificação resulta da fragmentação dos segmentos externos dos fotorreceptores e do dano ao epitélio pigmentado da retina (EPR) após a onda de choque do trauma contuso. Essa desorganização estrutural causa uma dispersão anômala da luz, conferindo o aspecto pálido à retina afetada, que pode ser localizada ou envolver todo o polo posterior.
O prognóstico visual é geralmente bom, com a maioria dos pacientes recuperando a acuidade visual basal em 1 a 4 semanas à medida que a retina recupera sua transparência. No entanto, se o edema de Berlim envolver a fóvea (maculopatia traumática), pode haver risco de dano permanente aos fotorreceptores ou formação de um buraco macular traumático. Casos com hiperpigmentação residual ou atrofia do EPR após a resolução da fase aguda tendem a ter um prognóstico visual mais reservado.
Sim. Embora o edema de Berlim em si seja tratado de forma expectante, o trauma contuso que o causou pode gerar outras lesões graves. É imperativo realizar um mapeamento de retina periférica sob midríase para procurar roturas retinianas (que podem levar ao descolamento de retina), diálise de retina, hemorragia vítrea ou recessão angular. O acompanhamento a longo prazo é necessário para monitorar o desenvolvimento de glaucoma secundário ao trauma ou alterações pigmentares maculares.
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