SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2024
Maria foi trazida ao pronto-socorro pela filha com histórico de infecção do trato urinário em tratamento com ciprofloxacino, mas evoluindo com confusão, letargia, pele fria e seca, além de edema facial. A filha relata que a mãe estava se queixando de fraqueza generalizada e lentidão para responder nos últimos dias. História recente: Sem febre ou mudanças na medicação recentemente. Exames laboratoriais: TSH: > 100 mIU/L (normal: 0,4 - 4,0 mIU/L). T4 livre: < 0,2 ng/dL (normal: 0,8 - 2,0 ng/dL). Gasometria arterial: Acidose metabólica, pH < 7,35. Hipoglicemia; Exames adicionais: Função renal e hepática estão normais. Outros sinais: Edema generalizado, reflexos diminuídos, ausência de movimentos intestinais. Conforme informações apresentadas, qual o melhor diagnóstico e tratamento para este caso clínico:
Coma mixedematoso: hipotireoidismo grave + fator precipitante (infecção) → suporte + levotiroxina IV + corticoide IV.
O coma mixedematoso é uma emergência endócrina rara e grave, caracterizada por hipotireoidismo descompensado, geralmente precipitado por infecção, frio ou drogas. Requer suporte intensivo, reposição hormonal e corticoterapia empírica.
O Coma Mixedematoso é uma emergência endócrina rara, porém grave e com alta mortalidade, representando a forma mais extrema de hipotireoidismo descompensado. Acomete principalmente idosos com hipotireoidismo de longa data, sendo mais comum em mulheres. É frequentemente precipitado por um evento estressor agudo, como infecções (como a ITU no caso), exposição ao frio, trauma, cirurgia, ou uso de medicamentos que deprimem o sistema nervoso central. A importância clínica reside na necessidade de reconhecimento e tratamento imediatos para evitar desfechos fatais. A fisiopatologia envolve a deficiência severa de hormônios tireoidianos, levando a uma desaceleração generalizada do metabolismo. Isso resulta em hipometabolismo, hipotermia, hipoventilação, bradicardia, hipotensão, hiponatremia, hipoglicemia e acidose metabólica. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado nos achados de hipotireoidismo grave e alteração do estado mental, corroborado por exames laboratoriais que mostram TSH muito elevado e T4 livre muito baixo. É fundamental a suspeita clínica em pacientes com fatores de risco e sintomas compatíveis. O tratamento do coma mixedematoso é uma emergência médica e deve ser iniciado prontamente na UTI. Inclui medidas de suporte intensivo (ventilação mecânica para hipoventilação, aquecimento para hipotermia, correção de hipoglicemia e distúrbios eletrolíticos), antibioticoterapia empírica para infecções precipitantes, e reposição hormonal. A reposição de levotiroxina deve ser feita por via intravenosa em altas doses. Crucialmente, a hidrocortisona intravenosa deve ser administrada antes ou concomitantemente à levotiroxina, devido à possibilidade de insuficiência adrenal coexistente ou induzida pela terapia tireoidiana.
Os principais sinais incluem alteração do estado mental (confusão, letargia, coma), hipotermia, bradicardia, hipoventilação, hipotensão, edema generalizado (mixedema), pele fria e seca, e reflexos diminuídos. Hipoglicemia e acidose metabólica são achados laboratoriais comuns.
A administração de corticoides é vital devido à alta prevalência de insuficiência adrenal concomitante no hipotireoidismo grave e para evitar uma crise adrenal precipitada pela rápida reposição de T4, que aumenta a demanda metabólica e pode exacerbar uma insuficiência adrenal não diagnosticada.
Fatores precipitantes comuns incluem infecções (como ITU), exposição ao frio, uso de sedativos ou narcóticos, trauma, cirurgia, acidente vascular cerebral, sangramento gastrointestinal e descontinuação da terapia com hormônio tireoidiano.
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