HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2025
Uma paciente com diagnóstico de hipotiroidismo há vários anos, para o qual faz uso eventual da reposição prescrita à base de hormônios tiroidianos, chega torporosa ao serviço de emergência, com pulso de 40 bpm, PA de 90 x 60 mmHg, frequência respiratória de 9 ipm e glicemia capilar de 65 mg/dL. Tem as extremidades frias e temperatura axilar de 32,2 °C. No ECG, apresenta bradicardia sinusal e ponto J apiculado. Os familiares referem que ela apresentava tosse com catarro esverdeado há uma semana. No tratamento inicial dessa paciente, devem constar hormônios tiroidianos em altas doses, além de
Coma mixedematoso → reposição hormonal + hidrocortisona (cobrir insuficiência adrenal associada).
O quadro clínico de torpor, hipotermia, bradicardia, hipotensão e hipoglicemia em paciente com hipotireoidismo sugere coma mixedematoso. A infecção é um fator precipitante comum. A hidrocortisona é essencial no tratamento empírico devido à possível insuficiência adrenal coexistente.
O coma mixedematoso é uma emergência endócrina rara, porém grave, que representa a forma mais extrema de hipotireoidismo descompensado. Caracteriza-se por uma falência multissistêmica e alta mortalidade se não for prontamente reconhecido e tratado. É mais comum em idosos, mulheres e pacientes com hipotireoidismo de longa data e adesão irregular ao tratamento, sendo frequentemente precipitado por infecções, exposição ao frio ou uso de medicamentos. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de hipotermia, alteração do estado mental (torpor, coma), bradicardia, hipotensão, hipoventilação e hipoglicemia, em um paciente com histórico de hipotireoidismo. O ECG pode mostrar bradicardia sinusal e, em casos de hipotermia grave, ondas de Osborn (ponto J apiculado). A fisiopatologia envolve a deficiência severa de hormônios tireoidianos, que leva a uma redução generalizada do metabolismo celular. O tratamento é uma emergência e inclui suporte ventilatório, aquecimento gradual, correção da hipoglicemia e, crucialmente, a administração de hormônios tireoidianos (levotiroxina e/ou liotironina) em altas doses. Além disso, a hidrocortisona deve ser administrada empiricamente antes ou concomitantemente à reposição tireoidiana para prevenir uma crise adrenal aguda, uma vez que a insuficiência adrenal secundária pode coexistir ou ser precipitada pela terapia hormonal. O tratamento da causa precipitante, como a infecção, também é fundamental.
Os principais sinais incluem alteração do estado mental (torpor, coma), hipotermia, bradicardia, hipotensão, hipoventilação, hipoglicemia e hiponatremia, refletindo a falência multissistêmica.
A hidrocortisona é administrada empiricamente para cobrir uma possível insuficiência adrenal secundária coexistente, que pode ser desmascarada ou agravada pela reposição de hormônios tireoidianos, prevenindo uma crise adrenal.
Fatores precipitantes comuns incluem infecções (como a pneumonia sugerida pela tosse com catarro), exposição ao frio, uso de sedativos, trauma, cirurgia e interrupção da terapia de reposição hormonal.
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