Coma Mixedematoso: Diagnóstico e Manejo Urgente

UNIATENAS - Centro Universitário Atenas (MG) — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 62 anos, previamente hipertensa e portadora de hipotireoidismo sem acompanhamento e com uso irregular dos medicamentos contínuos, foi admitida no pronto atendimento com quadro de rebaixamento do nível de consciência e edema. Familiares relatam que a paciente veio progressivamente apresentando letargia e piora do edema de membros inferiores, porém os sintomas intensificaram após um quadro de resfriado há dois dias. Ao exame físico é possível notar pele seca, edema palpebral, PA: 90 x 50 mmHg, FC: 55 b.p.m, temperatura axilar: 35,7°C. Escala de coma de Glasgow: 10. Ausência de alterações à ausculta cardíaca e respiratória. Sem déficit focal. Foi realizada tomografia computadorizada de crânio, sem alterações. Exames laboratoriais de hoje revelam: Hemoglobina: 12,3 mg/dL; Hematócrito: 37%; Leucócitos globais: 5.700/mm³; Plaquetas: 255.000/mm³; Sódio: 131 mEq/L; Potássio: 3,6 mEq/L. Realizados exames laboratoriais há 20 dias com resultado: TSH: 114 mUI/L; T4 livre: 0,09 ng/dL. Qual a provável causa do quadro clínico apresentado pela paciente?

Alternativas

  1. A) Hiponatremia.
  2. B) Crise tireotóxica.
  3. C) Coma mixedematoso.
  4. D) Acidente Vascular Cerebral Isquêmico.
  5. E) Insuficiência Cardíaca com fração de ejeção reduzida.

Pérola Clínica

Coma mixedematoso = hipotireoidismo grave descompensado + rebaixamento consciência, hipotermia, bradicardia, hipotensão.

Resumo-Chave

O coma mixedematoso é uma emergência endócrina rara, mas grave, do hipotireoidismo descompensado. A suspeita clínica é crucial em pacientes com hipotireoidismo conhecido e sintomas como letargia, hipotermia, bradicardia, hipotensão e rebaixamento do nível de consciência, frequentemente precipitada por infecções ou outros estressores.

Contexto Educacional

O coma mixedematoso é uma emergência endócrina rara e potencialmente fatal, representando a forma mais grave de hipotireoidismo descompensado. Afeta predominantemente mulheres idosas com hipotireoidismo de longa data e sem tratamento adequado, sendo crucial para residentes reconhecerem seus sinais para intervenção precoce e eficaz. A taxa de mortalidade pode ser alta se não for prontamente diagnosticado e tratado. A fisiopatologia envolve a deficiência extrema de hormônios tireoidianos, levando a uma desaceleração generalizada do metabolismo. O diagnóstico é clínico, baseado na tríade de hipotermia, rebaixamento do nível de consciência e hipotireoidismo grave (TSH muito elevado e T4 livre muito baixo), frequentemente precipitado por estressores como infecções, frio ou medicamentos. Exames laboratoriais podem revelar hiponatremia, hipoglicemia e hipercapnia. O tratamento é de suporte e específico. O suporte inclui ventilação mecânica, aquecimento, correção de distúrbios hidroeletrolíticos e hemodinâmicos. A terapia específica consiste na administração intravenosa de levotiroxina para repor os hormônios tireoidianos e hidrocortisona, devido à possibilidade de insuficiência adrenal concomitante, que pode ser mascarada ou precipitada pela doença tireoidiana.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas do coma mixedematoso?

O coma mixedematoso manifesta-se com rebaixamento do nível de consciência, hipotermia, bradicardia, hipotensão, hipoventilação, edema facial e de membros, pele seca e letargia extrema. A hiponatremia e hipoglicemia são achados laboratoriais comuns.

Qual a conduta inicial no coma mixedematoso?

A conduta inicial inclui suporte ventilatório e hemodinâmico, aquecimento passivo, correção de hipoglicemia e hiponatremia. A terapia específica é a reposição hormonal com levotiroxina intravenosa e hidrocortisona para cobrir uma possível insuficiência adrenal associada.

Quais fatores podem precipitar o coma mixedematoso?

Fatores precipitantes comuns incluem infecções (como o resfriado no caso), exposição ao frio, trauma, cirurgia, AVC, IAM, uso de sedativos ou narcóticos, e a interrupção abrupta da terapia com hormônio tireoidiano.

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